Com pouco mais de 20 mil habitantes e um rebanho de 11 milhões de galinhas distribuídas por seus 172 km², Bastos, no interior de São Paulo, carrega com orgulho o título de Capital do Ovo.
A vocação para a avicultura não é apenas econômica, é cultural. A cidade reúne anualmente milhares de produtores e entusiastas no maior evento do setor no país: a tradicional Festa do Ovo, realizada sempre no mês de julho.
Em 2024, o evento movimentou cerca de R$ 20 milhões em negócios, consolidando seu papel estratégico na economia regional. Bastos abriga cerca de 60 granjas responsáveis por 27% da produção de ovos do Estado de São Paulo, segundo dados locais.
A importância do alimento está estampada na paisagem urbana. Na “Praça do Ovo”, um dos pontos turísticos da cidade, luminárias ovais e calçadas temáticas compõem o cenário. No centro, um letreiro convida os visitantes a registrar sua passagem pela “Capital do Ovo”.
Raízes japonesas e vocação rural
Bastos também se destaca pela forte presença da imigração japonesa. De acordo com o IBGE, o município possui a segunda maior proporção de descendentes de asiáticos do país — 10,3% da população —, ficando atrás apenas de Assaí, no Paraná.
A ligação com o Japão remonta a 1928, quando o imigrante Senjiro Hatanaka foi enviado ao Brasil com a missão de identificar terras para a instalação de colônias japonesas.
Inicialmente voltada para o cultivo de café e algodão, a região acabou se reinventando com a avicultura após o declínio dessas culturas.
Durante a Segunda Guerra Mundial, Bastos chegou a ser o maior polo produtor de fios de seda destinados aos Estados Unidos. Com o fim do conflito e da demanda militar, a cidade precisou buscar uma nova matriz econômica — e encontrou nos ovos uma alternativa viável, rentável e duradoura.
Consumo em alta
O crescimento da demanda por ovos no Brasil tem impulsionado ainda mais a avicultura bastense. Segundo dados do IBGE, o consumo de ovos de galinha no país atingiu um recorde histórico em 2024: 4,67 bilhões de dúzias por ano.
O Estado de São Paulo lidera esse movimento, com alta de 8,2% em relação a 2023, seguido por Paraná (9,8%) e Espírito Santo (8%).
Diferentemente de outras commodities agrícolas, o comércio de ovos é essencialmente doméstico, sem forte dependência de exportações — o que torna o setor menos suscetível a tarifas externas e oscilações do mercado internacional.
Muito além da cozinha
Hoje, Bastos é reconhecida não apenas pela produção em larga escala, mas pela forma como integrou o ovo à sua identidade cultural. O investimento japonês no século passado pavimentou o caminho para o município se tornar uma referência nacional em avicultura.
Mais do que um produto na mesa do brasileiro, o ovo em Bastos é um símbolo: de prosperidade, de resiliência e de orgulho coletivo.
