5 medidas adotadas por cidades do mundo para reduzir o trânsito e os congestionamentos

Cidades adotaram medidas que envolvem cobrança pelo uso das vias, transporte público, bicicletas e restrições aos carros para enfrentar congestionamentos

Fotografia em plano geral com lente teleobjetiva mostrando engarrafamento em uma avenida de múltiplas faixas. O tráfego está completamente parado ou em marcha lenta, com carros de passeio, táxis, uma perua Kombi branca à esquerda e motocicletas enfileiradas entre as faixas. No canteiro central arborizado, observam-se placas de sinalização indicando o limite de velocidade de 60 km/h e luzes de freio vermelhas acesas ao longo de toda a extensão da via sob luz diurna

Congestionamentos fazem parte da rotina de São Paulo; cidades de diferentes países adotam medidas para tentar reduzir o número de veículos nas ruas - Luiz Guarnieri/Brazil Photo Press

Encontrar uma solução para os congestionamentos é um grande desafio para cidades de diferentes tamanhos, principalmente São Paulo.

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Em vez de apostar em uma única medida, algumas administrações passaram a combinar cobrança pelo uso das vias, restrições à circulação de carros, incentivo ao transporte público e expansão da infraestrutura para bicicletas.

Os resultados variam de acordo com as características de cada cidade, mas algumas experiências mostram como mudanças na forma de organizar o trânsito podem alterar o fluxo de veículos.

Veja cinco medidas adotadas por cidades do mundo para enfrentar os congestionamentos.

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1 – Cobrança para circular em áreas congestionadas

Londres adotou, em 2003, uma cobrança para veículos que circulam em uma área delimitada do centro da cidade.

O objetivo é reduzir o número de carros nas regiões mais congestionadas e estimular outras formas de deslocamento.

Atualmente, a cobrança diária é de 18 Euros (aproximadamente R$ 108,50) para quem dirige dentro da área nos horários determinados. O valor passou a valer em janeiro de 2026.

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A Transport for London, órgão responsável pelo transporte da capital britânica, registra que a implantação da cobrança foi acompanhada por uma redução de 15% no tráfego e de 30% nos níveis de congestionamento dentro da área inicialmente monitorada.

A lógica é fazer com que parte dos motoristas escolha outras formas de deslocamento, altere o horário da viagem ou utilize rotas diferentes.

2 – Pedágio urbano com valor ajustado

A cidade de Singapura, no Sudeste Asiático utiliza outro modelo de cobrança. O Electronic Road Pricing, conhecido como ERP, cobra dos motoristas que passam por determinados pontos da cidade durante os horários de funcionamento.

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O valor não é fixo para todos os momentos. As tarifas são revisadas regularmente de acordo com as condições do trânsito e podem mudar conforme o horário e o local.

Em junho de 2026, por exemplo, a autoridade de transporte de Singapura aumentou em 1 dólar as tarifas de alguns pontos depois de identificar aumento do tráfego em determinados trechos de vias expressas.

A cidade também considera a possibilidade de retomar a cobrança em uma região de Orchard caso o congestionamento continue acima do nível considerado adequado.

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O sistema permite que a cobrança seja utilizada como uma ferramenta de controle do fluxo, e não apenas como uma tarifa fixa para entrar em determinada região.

3 – Retirada de espaço destinado aos carros

Já Oslo, na Noruega, adotou medidas para reduzir a presença dos carros no centro e liberar espaço para pedestres, bicicletas, transporte público e atividades urbanas.

Entre 2016 e 2023, o programa de redução do espaço destinado aos carros retirou cerca de 760 vagas de estacionamento nas ruas da região central dentro do primeiro anel viário que circunda o centro de Oslo (Ring 1).

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Segundo a Prefeitura, os espaços liberados passaram a ser utilizados para áreas de convivência, árvores, ciclovias, equipamentos urbanos e outras funções.

A cidade também estabeleceu como meta reduzir em um terço o tráfego de carros até 2030 em comparação com 2015.

A política de mobilidade prevê que caminhada, bicicleta e transporte público sejam priorizados nos deslocamentos.

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Essa estratégia parte de uma mudança na distribuição do espaço urbano: em vez de reservar grande parte das ruas para circulação e estacionamento de veículos, a cidade passa a destinar áreas para outros meios de transporte.

4 – Investimento em bicicletas

A capital francesa, Paris adotou uma política de expansão da infraestrutura cicloviária como parte de um plano de mobilidade que prevê mais de €250 milhões (cerca de R$ 1.5 bi) em investimentos entre 2021 e 2026.

O plano inclui a criação de 180 quilômetros de novas rotas seguras, além da ampliação de estacionamentos para bicicletas e da integração da rede parisiense com estruturas metropolitanas.

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A estratégia não se limita à construção de ciclovias. A cidade também trabalha para conectar diferentes trechos da rede, permitindo que a bicicleta seja utilizada em deslocamentos maiores.

Em 2025, a Prefeitura de Paris informou que a bicicleta já representava 11% dos deslocamentos realizados na cidade em 2023.

Em 2024, 14% dos moradores usavam a bicicleta para ir ao trabalho. Entre 2020 e 2025, a circulação nas ciclovias aumentou 47%.

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5 – Aumentar a oferta de transporte público

Outra estratégia adotada por cidades que buscam reduzir a dependência dos carros é ampliar a capacidade do transporte público para absorver parte dos deslocamentos.

Em Oslo, por exemplo, o número de quilômetros percorridos pela rede de transporte público aumentou 80% entre 2007 e 2024. No mesmo período, a população da cidade cresceu 30%.

A cidade estabeleceu como objetivo que o crescimento dos deslocamentos seja absorvido principalmente pelo transporte público, pela bicicleta e pelos deslocamentos a pé, evitando aumento das viagens de carro.

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A estratégia mostra um ponto comum entre diferentes políticas de mobilidade: para reduzir a quantidade de carros nas ruas, não basta restringir o automóvel. Também é necessário oferecer alternativas para quem precisa se deslocar pela cidade.

O tamanho do desafio em São Paulo

São Paulo também convive com congestionamentos que fazem parte da rotina de quem circula pela capital. O maior registro histórico de lentidão da cidade ocorreu em 5 de setembro de 2019, quando a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) registrou 1.902 quilômetros de congestionamento às 18h30.

O número permanece como o maior da série histórica, mas a comparação com os índices atuais exige cuidado.

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A metodologia de medição do trânsito da capital passou por mudanças ao longo dos anos, incluindo a ampliação da área considerada no cálculo.

Além do monitoramento da CET, a cidade utiliza indicadores que acompanham a circulação em corredores estratégicos e dados de aplicativos de navegação.

Na prática, São Paulo também adota medidas para tentar organizar o fluxo de veículos, como faixas exclusivas para ônibus, restrições à circulação de determinados veículos, infraestrutura cicloviária e intervenções viárias.

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A diferença é que, em uma cidade com a dimensão de São Paulo, o trânsito envolve uma rede extensa de vias e milhões de deslocamentos diariamente. Por isso, as experiências adotadas em outras cidades não podem ser simplesmente reproduzidas na capital paulista.

As medidas adotadas em Londres, Singapura, Oslo e Paris mostram diferentes formas de lidar com o uso do espaço urbano e com a quantidade de carros nas ruas.

Em São Paulo, o desafio envolve combinar essas alternativas com a estrutura já existente e com a demanda de deslocamentos da cidade.