Construída por prisioneiros, Estrada da Morte mata centenas e é eleita a mais perigosa do mundo

Construída nos anos 1930, a Camino a los Yungas ganhou fama por acidentes e hoje atrai ciclistas em busca de adrenalina

Pista estreita, neblina e desfiladeiros explicam a reputação da rodovia boliviana que ficou conhecida como Estrada da Morte

Pista estreita, neblina e desfiladeiros explicam a reputação da rodovia boliviana que ficou conhecida como Estrada da Morte | etotam.com/Wikimedia Commons

Em meio a paredões íngremes e curvas fechadas, a rodovia boliviana conhecida como Estrada da Morte carrega uma história marcada por mortes e acidentes desde sua origem.

Continua após a publicidade

Oficialmente chamada de Camino a los Yungas, a estrada foi construída na década de 1930 por prisioneiros paraguaios e acabou se tornando uma das ligações mais temidas do país.

Mortes na estrada

Com cerca de 64 quilômetros de extensão, o trajeto foi escavado na lateral das montanhas, conectando La Cumbre, a quase cinco mil metros de altitude, à região rural dos Yungas.

Na década de 1990, o Banco Interamericano de Desenvolvimento classificou a via como a estrada mais perigosa do mundo, após registrar um alto número de veículos que despencavam pelos precipícios.

Continua após a publicidade

O que a torna tão perigosa

Em diversos pontos, a pista tem apenas três metros de largura, o que dificulta a passagem de veículos em sentidos opostos.

As condições naturais tornam o percurso ainda mais arriscado. A neblina frequente reduz drasticamente a visibilidade, enquanto as chuvas deixam o piso escorregadio.

Em alguns trechos, pequenas quedas d’água atravessam a pista, aumentando o risco de deslizamentos de pedras e do próprio asfalto nas bordas.

Continua após a publicidade

A estrada é estreita e cheia de curvas, sempre à beira de desfiladeiros profundos, o que exige atenção constante dos motoristas.

Altitude, falhas mecânicas e tragédias

No ponto mais alto da estrada, o ar rarefeito dificulta a respiração dos motoristas e compromete o desempenho dos veículos.

Com menos oxigênio disponível, os motores têm dificuldade para queimar combustível, o que pode causar falhas durante o trajeto.

Continua após a publicidade

Não à toa, a Estrada da Morte ficou marcada pelo pior acidente rodoviário da Bolívia. Em 1983, um ônibus lotado com mais de cem passageiros caiu da pista, e ninguém sobreviveu.

Improvisos para passar pela estrada

O tráfego ocorre pela esquerda, estratégia adotada para facilitar a visão da borda por quem sobe a serra.

Quando dois carros não conseguem cruzar, a prioridade é de quem está subindo, mesmo que o motorista que desce precise manobrar em marcha a ré.

Continua após a publicidade

O perigo virou turismo de aventura

Segundo a BBC, 300 pessoas morriam em acidentes nesta estrada a cada ano até 2007.

Neste ano, o governo boliviano inaugurou uma rota alternativa, a estrada Cotapata Santa Bárbara, reduzindo o fluxo na via antiga.

Com menos veículos, a estrada passou a atrair ciclistas em busca de adrenalina e turistas interessados no desafio.

Continua após a publicidade

Para quem gosta de pedalar, há também rotas para passeios de bike em São Paulo, com opções para diferentes níveis de preparo.

A diminuição do tráfego também favoreceu a fauna local, permitindo a recuperação da biodiversidade, com o retorno de mamíferos e várias espécies de aves.

Na Bolívia, o acesso a regiões de altitude costuma passar por La Paz, e há quem combine a viagem com outros pontos do país, como no roteiro de voo de São Paulo para La Paz e conexão até Uyuni.