23/02: O dia em que o Império Romano tentou destruir o cristianismo

Série de quatro editos transformou o Império Romano em palco de repressão religiosa

Representação do imperador Diocleciano, responsável pelo decreto de 303 - Reprodução

Representação do imperador Diocleciano, responsável pelo decreto de 303 - Reprodução | Freepik

Em 23 de fevereiro de 303, o imperador romano Diocleciano emitiu o primeiro de quatro editos que deram início à chamada Grande Perseguição aos cristãos, a mais intensa e sistemática da Antiguidade.

Esse decreto ordenava a destruição de igrejas e livros sagrados, além da perda de direitos civis para os fiéis, marcando o ápice de uma tensão religiosa que ameaçava a unidade do Império Romano.

Contexto anterior

Antes de 303, os cristãos enfrentavam perseguições locais e esporádicas, sem leis gerais contra a fé até o século 3. Imperadores como Décio e Valeriano intensificaram as ações, exigindo sacrifícios aos deuses romanos para preservar a pietas imperial em meio a crises econômicas e invasões bárbaras.

Diocleciano via o cristianismo como risco à coesão estatal, especialmente após um incidente em 299, quando cristãos interferiram em rituais divinatórios, levando à expulsão de soldados e funcionários fiéis.

Os quatro editais

  • Primeiro edital (23/02/303): Destruição de templos cristãos, queima de escrituras e perda de cidadania.
  • Segundo: Prisão de clérigos como bispos e presbíteros.
  • Terceiro: Libertação dos presos mediante sacrifícios aos deuses.
  • Quarto: Execução de quem persistisse na fé.

A violência concentrou-se no Oriente (Egito, Ásia Menor), com milhares de mártires como São Jorge e São Vítor.

Fim e legado

A perseguição durou até 311, quando Galério emitiu um edito de tolerância, admitindo seu fracasso. Em 313, o Edito de Milão de Constantino legalizou o cristianismo, pavimentando sua ascensão no Império.

Essa fase destacou o choque entre a religião romana politeísta e o monoteísmo cristão intolerante a sincretismos.