Uma planta considerada nociva tem se espalhado rapidamente pela região Sul do Brasil. Ambientalistas, comunidades tradicionais e órgãos fiscalizadores acendem alerta sobre o risco ao ecossistema.
A espécie é o pinus, um tipo de pinheiro exótico. Apesar do uso comercial, ele pode provocar impactos severos na fauna e na flora das áreas onde se instala.
Em trechos de vegetação nativa, o pinus se multiplica de forma descontrolada. A espécie altera a composição do solo e atrapalha o crescimento da vegetação nativa.
Pinus avança em área protegida de Florianópolis
Uma operação foi iniciada no Parque Estadual do Rio Vermelho, em Florianópolis.
Autoridades começaram a retirar exemplares da planta, que já ocupam parte significativa do ambiente.
Especialistas estimam que cerca de 30% da área tradicionalmente ocupada por comunidades quilombolas foi tomada pelo pinus, segundo avaliações feitas na região.
O parque tem mais de 960 hectares e está entre as maiores unidades de conservação da capital catarinense. A área abriga trechos importantes de Mata Atlântica.
Por que o pinus preocupa
Estudiosos apontam que o pinus pode acidificar o solo e criar um ambiente hostil para a vegetação nativa. Isso dificulta o surgimento de arbustos e reduz a biodiversidade.
O avanço do pinus também aumenta o risco de incêndio. A presença da espécie pode alterar o regime hídrico, com efeitos diretos nas áreas onde ela se espalha.
Território quilombola e recuperação ambiental
Desde 2022, a região do Parque Estadual do Rio Vermelho, é oficialmente reconhecida como território quilombola. No Brasil, a população quilombola passa do 1 milhão, número equivale a 0,65% do total de habitantes no país.
Com isso, as comunidades têm participação direta nos assuntos ligados à recuperação ambiental.
A retirada das árvores ocorre de forma gradual, com foco no replantio de espécies nativas.
Implementação tem como proposta combinar saberes tradicionais e conhecimento técnico no processo de recuperação.
Segundo o site TNH1, a Justiça Federal determinou que o governo do Estado conceda à população o uso pleno do território. O governo estadual afirma que a regularização pode comprometer a função ambiental do parque.
A decisão judicial segue válida. Para a Justiça, a gestão comunitária e a preservação podem caminhar juntas.


