Uma pesquisa publicada nesta segunda (13/7), na revista Nature Astronomy, detectou pela primeira vez moléculas de açúcar na Via Láctea.
A descoberta é importante porque sinaliza que outros locais da Via Láctea têm os compostos necessários para o surgimento da vida. Além disso, desvenda uma parte da origem da vida no próprio planeta Terra.
Elas foram encontradas, mais especificamente, no espaço que fica entre os sistemas estelares que é composto por gases e poeira. O açúcar encontrado foi a eritrulose, composta por quatro átomos de carbono, oito de hidrogênio e quatro de oxigênio.
O açúcar e a origem da vida
A molécula é a principal fornecedora de energia para o funcionamento de células vivas. Ela também forma o material genético, como o DNA e o RNA, e outras estruturas biológicas.
A desoxirribose e a ribose, de onde vem parte do D de DNA e do R de RNA, respectivamente, são moléculas de açúcar que mantém as bases nitrogenadas unidas.
Com essas moléculas essenciais para a vida disponíveis no espaço, outros sistemas planetários também podem ter acesso a elas, o que ajudaria no surgimento de vida.
Esse açúcar disponível na Via Láctea pode se converter facilmente na estrutura do TNA (ácido treo-nucleico). Esse é considerado por especialistas um dos possíveis materiais genéticos primitivos antecessor do RNA.
Terra primitiva x açúcares
Até a descoberta desta segunda, um dos grandes mistérios da ciência era sobre como os açúcares haviam se formado ou chegado até o planeta. Isso porque, em laboratório, cientistas nunca conseguiram formar essa molécula nas condições que existiam na Terra primitiva.
Até o momento, a principal hipótese era de que esses açúcares foram ‘entregues’ ao planeta durante colisões com asteroides e cometas. A molécula já tinha sido achada neles, mas os cientistas também não sabiam como elas tinham parado lá.
Agora, a teoria é de que esses açúcares tenham se formado no espaço, por meio de reações químicas, talvez antes mesmo do surgimento da Terra. A estimativa é de que o planeta tenham recebido ‘chuvas’ de açúcares espaciais cerca de quatro bilhões de anos atrás.






