Antes dos dentistas, barbeiros e joalheiros eram os responsáveis por cuidar dos dentes

Achado em mandíbula medieval mostra que aliviar dor, salvar dentes e preservar a aparência já mobilizava soluções improváveis há séculos

Caso encontrado na Escócia ajuda a entender como pessoas tentavam lidar com dentes perdidos muito antes dos consultórios modernos

Caso encontrado na Escócia ajuda a entender como pessoas tentavam lidar com dentes perdidos muito antes dos consultórios modernos | Pexels

Antes de existir consultório, motorzinho e anestesia moderna, uma dor de dente podia levar alguém a lugares bem diferentes dos que imaginamos hoje. Em vez de um dentista, o caminho podia passar por um barbeiro, um curandeiro ou até por um joalheiro.

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Uma mandíbula encontrada em Aberdeen, na Escócia, ajuda a contar essa história. O osso pertencia a um homem que viveu entre 1460 e 1670 e tinha uma espécie de ponte dentária feita com fio de ouro de 20 quilates.

O detalhe chama atenção porque mostra que o cuidado com os dentes não nasceu nos consultórios modernos. Muito antes disso, pessoas já buscavam maneiras de aliviar incômodos, substituir perdas e preservar a própria aparência.

Quando o dentista ainda não existia

Durante séculos, a odontologia não era uma profissão organizada como é hoje. Procedimentos mais simples ou arriscados podiam ser feitos por pessoas com alguma habilidade manual, mesmo sem formação médica formal.

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Barbeiros, por exemplo, não cuidavam apenas de cabelo e barba. Em diferentes períodos da história, eles também realizavam sangrias, pequenas cirurgias e extrações dentárias. Já os joalheiros entravam em cena quando o tratamento exigia metal, precisão e habilidade para moldar fios.

No caso escocês, pesquisadores acreditam que o fio de ouro pode ter sido usado para segurar um dente perdido ou uma prótese. A peça passava ao redor de dentes vizinhos e preenchia o espaço deixado por uma perda na parte inferior da boca.

Ouro, dor e aparência

O procedimento provavelmente não era confortável. A bioarqueóloga Rebecca Crozier afirmou, em entrevista à Galileu, que “a aplicação da ligadura provavelmente teria causado algum desconforto durante o procedimento”. Mesmo assim, o homem pode ter se acostumado com o metal ao longo do tempo.

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A escolha pelo ouro também não parece ter sido apenas prática. O metal era resistente, maleável e valioso. Por isso, carregar uma solução desse tipo na boca podia indicar acesso a recursos e preocupação com a imagem.

Na Europa medieval e no início da modernidade, aparência e saúde tinham peso social. Um sorriso comprometido podia afetar a forma como alguém era visto, especialmente em uma sociedade que relacionava sinais físicos a reputação, moralidade e posição.

Povos antigos já usavam bandas metálicas para prender dentes, unindo técnica artesanal e preocupação estética (Foto: Pexels)

Um tratamento raro no passado

A mandíbula tinha sinais de saúde bucal ruim, como placa endurecida, cáries e doença periodontal. Ainda assim, o uso do fio de ouro torna o achado incomum, principalmente por ser considerado uma das evidências mais antigas desse tipo na Escócia.

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Além disso, o caso mostra como a fronteira entre medicina, artesanato e vaidade era mais borrada do que parece. Quem tinha dinheiro ou contatos podia buscar soluções sofisticadas, mesmo em um tempo de poucos recursos e muita tentativa.