Há lugares tão pequenos que quase parecem se perder na imensidão do mapa. As Ilhas Marshall são um deles, mas o que acontece nesse arquipélago descoberto em 1526 pode revelar uma das faces mais preocupantes das mudanças climáticas.
Localizado no Oceano Pacífico, o país é formado por atóis e ilhas de coral extremamente baixos. Em média, o território está apenas cerca de dois metros acima do nível do mar, o que deixa comunidades, infraestrutura e recursos naturais particularmente expostos.
Cinco séculos depois, a relação das ilhas com o oceano mudou completamente. O mar que durante gerações garantiu alimento, transporte e identidade cultural agora também representa uma ameaça crescente à permanência das comunidades.
Por que as Ilhas Marshall estão tão ameaçadas?
A geografia explica boa parte do problema. Diferentemente de grandes ilhas vulcânicas ou territórios continentais, os atóis das Marshall têm pouca elevação e são formados principalmente por estruturas de coral.
Isso significa que mesmo uma elevação relativamente pequena do nível do mar pode aumentar significativamente o risco de erosão e de inundações.
A situação não é apenas uma previsão distante. Um estudo do Banco Mundial aponta que a elevação do nível do mar já ameaça áreas urbanas, enquanto eventos de inundação podem se tornar muito mais frequentes ao longo deste século.
Em Majuro, capital e principal centro econômico do país, o risco é especialmente significativo. Projeções analisadas pelo Banco Mundial indicam que 96% da cidade pode ficar exposta a inundações frequentes relacionadas às mudanças climáticas, sem medidas adicionais de proteção.
O que pode acontecer nas próximas décadas?
Dados da NASA ajudam a dimensionar o problema. Para Majuro, a agência estima que o nível do mar suba aproximadamente 19 centímetros nos próximos 30 anos, valor semelhante ou superior ao observado nas três décadas anteriores.

Depois de 2050, a trajetória passa a depender cada vez mais das emissões globais de gases de efeito estufa. Em um cenário de aquecimento de 3°C, a estimativa é de aproximadamente 72 cm de elevação até 2100.
Antes de uma eventual perda permanente de terras, as comunidades podem enfrentar cada vez mais inundações, erosão, danos à infraestrutura, contaminação da água doce e dificuldades para manter atividades econômicas e condições de vida.
A própria NASA estima que, até o fim do século, as Ilhas Marshall possam enfrentar mais de 100 dias de inundação por ano em diferentes cenários, caso não sejam adotadas proteções adicionais.
As Ilhas Marshall podem ser protegidas?
A adaptação envolve obras de proteção costeira, planejamento urbano, recuperação de ecossistemas, fortalecimento de sistemas de emergência e investimentos em infraestrutura mais resistente.
Em 2026, o Banco Mundial anunciou novos recursos para ampliar a resiliência urbana das Ilhas Marshall, especialmente em Majuro. O projeto prevê investimentos em espaços e edifícios públicos, preparação para desastres e planejamento urbano baseado em riscos climáticos.
Outra frente, depende de algo que está muito além das fronteiras do país: reduzir o ritmo do aquecimento global. Isso acontece porque medidas locais podem proteger comunidades por determinado período, mas não eliminam a causa principal da elevação do nível dos oceanos.





