A NASA lança nesta quarta-feira (1º) a missão Artemis II, com quatro astronautas em sobrevoo histórico da Lua. É o primeiro voo tripulado lunar em 53 anos, desde a missão Apollo 17, em 1972.
Meio século depois de Neil Armstrong pisar na Lua, o mundo volta a acompanhar astronautas rumo ao espaço profundo. Desta vez, com uma cápsula nova, um foguete mais poderoso e objetivos que vão além de 1969.
A missão dura cerca de 10 dias. Ao final, a tripulação retorna à Terra com dados que vão definir o próximo capítulo da exploração humana do sistema solar.
Quem está na tripulação
A missão tem quatro tripulantes selecionados pela NASA e pela Agência Espacial Canadense. Reid Wiseman é o comandante, responsável pelas decisões finais a bordo da Orion.
Victor Glover ocupa o posto de piloto. Ele já atuou na Estação Espacial Internacional e acumula mais de 3.500 horas de voo em mais de 40 aeronaves diferentes ao longo da carreira.
A Artemis II é uma missão de teste que realiza apenas um sobrevoo lunar. O pouso na superfície está programado para a Artemis III, a próxima etapa do programa, prevista para os próximos anos. Foto: Wikimedia CommonsCom a Artemis II, Glover se tornará a pessoa negra a viajar mais longe no espaço em toda a história. Ele mesmo atribui o mérito a quem veio antes, especialmente a Guion Bluford, o pioneiro que abriu esse caminho décadas atrás.
Christina Koch é especialista de missão e se tornará a primeira mulher a viajar até a distância da Lua. Jeremy Hansen, da Agência Espacial Canadense, completa a equipe como o primeiro canadense em uma missão lunar.
Os quatro ficaram em quarentena na Flórida antes do lançamento, um protocolo padrão de segurança que a NASA adota para proteger a saúde da tripulação antes de missões de alto risco.
O que a missão vai fazer
A Artemis II não pousa na Lua. O plano é realizar um sobrevoo do satélite e retornar à Terra em cerca de 10 dias. Durante a viagem, os astronautas realizam testes essenciais a bordo da cápsula Orion.
O trajeto inclui duas órbitas ao redor da Terra antes de a nave ganhar velocidade rumo à Lua. A Orion vai contornar o satélite em um padrão semelhante ao número oito antes de voltar para casa.
Os sistemas testados durante o voo incluem:
- >Suporte à vida — controle de ar, temperatura e água a bordo >Navegação e orientação no espaço profundo >Comunicações com a Terra à distância lunar >Controle manual da cápsula em condições reais de voo
Se algum desses sistemas falhar durante a missão, a NASA precisará revisar os planos antes de tentar qualquer pouso real na superfície da Lua.
O Space Launch System, ou SLS, é o foguete mais poderoso já construído pela NASA. Foto: Wikimedia CommonsO foguete mais poderoso já construído
A cápsula Orion viaja dentro do foguete SLS — sigla para Sistema de Lançamento Espacial, em tradução livre. Com cerca de 65 metros de altura, ele é o mais poderoso já construído pela NASA.
O SLS já foi testado sem tripulação na missão Artemis I, em 2022. Esta é a primeira vez que o foguete leva humanos a bordo. O lançamento acontece no Centro Espacial Kennedy, na Flórida, às 19h24 (horário de Brasília).
A cápsula foi batizada de Integrity, palavra em inglês que significa integridade. O nome foi escolhido pela própria tripulação como símbolo do compromisso da missão com segurança e transparência.
Por que a Artemis II não pousa na Lua
Muita gente se pergunta: se vão até a Lua, por que não pousam? A resposta está na estratégia da NASA. Antes de arriscar um pouso, é preciso confirmar que tudo funciona em condições reais de voo tripulado.
Infográfico: Gazeta de S. PauloA Artemis II é um voo de teste. Ela prepara o caminho para a Artemis III, a missão prevista para colocar humanos de volta na superfície lunar. É um passo calculado, não uma limitação de tecnologia.
Nenhum ser humano pisou na Lua desde a Apollo 17, em dezembro de 1972. O retorno dos humanos à Lua após 50 anos representa um marco que vai além da NASA e envolve parceiros de diferentes países.
O que vem depois dessa missão
Se a Artemis II cumprir seus objetivos, a NASA terá dados reais sobre o desempenho da Orion com tripulação. Isso acelera o planejamento da Artemis III, a missão de pouso, prevista para os próximos anos.
O plano da NASA vai além da Lua. O satélite natural da Terra vai servir como base de apoio para lançar, no futuro, missões tripuladas a Marte. Cada etapa bem-sucedida do programa Artemis aproxima esse objetivo.
Outro avanço recente da agência foi o teste de comunicação a laser a 16 milhões de quilômetros da Terra. A tecnologia pode permitir, no futuro, o envio de vídeos em alta definição direto de Marte.
Para viabilizar missões cada vez mais longas, a NASA também trabalha na limpeza da órbita terrestre. A agência propôs um método para reduzir os detritos no espaço sideral que ameaçam futuras rotas e decolagens.
O interesse pelo espaço cresceu muito nos últimos anos. Recentemente, astrônomos confirmaram que a Terra ganhou uma segunda lua temporária, um asteroide que acompanhará o planeta até 2083.
Perguntas frequentes
A Artemis II vai pousar na Lua?
Não. A Artemis II é uma missão de teste que realiza apenas um sobrevoo lunar. O pouso na superfície está programado para a Artemis III, a próxima etapa do programa, prevista para os próximos anos.
Quem são os astronautas da Artemis II?
A tripulação tem quatro membros: Reid Wiseman (comandante), Victor Glover (piloto), Christina Koch (especialista de missão) e Jeremy Hansen, da Agência Espacial Canadense. Glover é o primeiro astronauta negro e Koch é a primeira mulher a viajarem até a distância da Lua.
O que é o foguete SLS da NASA?
O Space Launch System, ou SLS, é o foguete mais poderoso já construído pela NASA. Desenvolvido para levar astronautas ao espaço profundo, ele já foi testado sem tripulação em 2022 e faz agora seu primeiro voo com humanos a bordo, na missão Artemis II.



