Casal cultiva morango japonês raro há 39 anos e faz chefs viajarem 75 km para buscá-lo em SP

Milton e Marlete Isizuka começaram com apenas três mudas em 1987; hoje, a pequena safra de Toyonoka é disputada por restaurantes de São Paulo

Morango Toyonoka é cultivado pela família Isizuka em Suzano desde 1987 (Foto: ShakataGaNai / Wikimedia Commons)

Morango Toyonoka é cultivado pela família Isizuka em Suzano desde 1987 (Foto: ShakataGaNai / Wikimedia Commons)

Milton Isizuka aprendeu a colher um morango sem realmente tocar nele. O fruto pode estar maduro, perfumado e pronto para sair da planta, mas os dedos precisam ficar no caule. Uma pressão no lugar errado deixa marcas na superfície.

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Ao lado de Marlete, Milton repete esse cuidado em Suzano, na Região Metropolitana de São Paulo. O casal cultiva os raros morangos Toyonoka desde 1987, quando, segundo a filha Kelly Isizuka, recebeu três mudas de um amigo agrônomo japonês.

Quase quatro décadas depois, aquela pequena experiência virou uma produção tão sofisticada que chefs deixam a capital para buscá-la. Victor Valadão, dos restaurantes Mapu e Aiô, percorre cerca de 75 quilômetros até a propriedade quando precisa do ingrediente. A família não oferece entregas.

Fruta delicada

A raridade em Suzano também nasce do trabalho necessário para mantê-la. Milton e Marlete cuidam diretamente da Toyonoka, enquanto a propriedade ainda produz outra variedade de morango, a Valentina, além de hortaliças. A produção permanece limitada ao que o casal consegue acompanhar.

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Na colheita, o cuidado chega aos dedos. Milton explicou que a fruta deve ser retirada pelo caule, porque o contato pode deixar marcas. Além da aparência delicada, um estudo publicado na Scientia Horticulturae indica que temperaturas elevadas afetam a Toyonoka, reduzindo a frutificação e o tamanho dos frutos em determinadas condições experimentais.

A safra da família vai de junho a setembro, mas a disputa começa antes de qualquer morango amadurecer. Segundo Kelly, em janeiro já aparecem interessados. Em São Paulo, a produção fornecida pela família chega ao Mapu, na Vila Mariana e ao Aiô.

75 quilômetros

Para Valadão, buscar o morango se tornou parte da relação com o ingrediente. A viagem também ganhou caráter de peregrinação gastronômica: funcionários dos restaurantes visitam o sítio e conhecem a produção que depois aparece transformada nas cozinhas da Vila Mariana.

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No começo de setembro de 2026, o Mapu previa usar a Toyonoka em uma sobremesa com crumble, bolo francês de amêndoa, sorvete, geleia e mochi. No Aiô, a fruta aparecia em uma raspadinha de saquê acompanhada de feijão branco, morango fermentado, merengue e folha de gergelim.