CEO abandonado em caçamba de lixo ainda bebê comanda empresa de R$ 220 mi em São Paulo

Da adoção em 1980 ao comando da 4Life Prime, Alex Araújo conta como erros, riscos e pandemia aceleraram o seu negócio

Empresário relembra o abandono ao nascer e a trajetória até liderar uma empresa que realiza 700 mil exames ocupacionais por ano

Empresário relembra o abandono ao nascer e a trajetória até liderar uma empresa que realiza 700 mil exames ocupacionais por ano | Pedro-Henrique-Kanaan-Gamborgi/Divulgação

A trajetória de Alex Araújo começou de forma dramática ao ser deixado em uma caçamba de entulho logo após o nascimento.

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Muitos anos depois, porém, ele fundou a 4Life Prime e atingiu um faturamento expressivo de R$ 220 milhões em 2024.

A empresa atende hoje milhares de organizações e realiza cerca de 700 mil exames ocupacionais anualmente para diversos clientes.

Mas o percurso até esse estágio foi longo e exigiu enfrentar muitos erros e decisões arriscadas ao longo de várias décadas de trabalho.

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Mudança e descobertas

Resgatado e acolhido por uma família simples em 1980, ele cresceu em um ambiente pautado pelo carinho e pela honestidade.

Durante a adolescência, a família se mudou para Sorocaba, enquanto a mãe continuava trabalhando em São Paulo e viajando todos os fins de semana.

Foi nesse período que Alex descobriu que era adotado, informação que não abalou sua relação com os pais nem sua identidade dentro daquele lar.

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Em entrevista ao Exame, ele recorda que o pai repetia constantemente que estudo e respeito abririam caminhos. Essa ideia virou uma bússola na trajetória.

Vida adulta e primeiros desafios

Aos 18 anos, Alex voltou sozinho para a capital paulista e assumiu responsabilidades rapidamente.

Trabalhou cavando buracos para instalação de postes e, no mesmo período, tornou-se pai, o que aumentou a pressão financeira.

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Ele lembra que muitas vezes precisava decidir entre contas atrasadas e compras básicas no mercado.

A virada inicial veio quando tomou a iniciativa de lavar o carro do CEO da empresa. A atitude o levou ao escritório e abriu novas oportunidades.

Carreira no banco e decisão de sair

Mais tarde, ingressou no Banespa, que depois se tornaria Santander, onde permaneceu por sete anos e meio.

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Nesse período, foi promovido nove vezes e alcançou resultados acima do esperado de forma consistente.

Em entrevista ao Exame, afirma que compreender as necessidades reais dos clientes e reduzir o peso do próprio ego fez diferença na evolução profissional.

Quando surgiu um plano de desligamento voluntário, aceitou a proposta, recebeu uma indenização e decidiu tentar o caminho do empreendedorismo.

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Primeiro negócio e aprendizado duro

Seu primeiro empreendimento foi uma choperia, comprada de maneira impulsiva.

No começo, o movimento era intenso e o faturamento parecia promissor, o que deu a sensação de sucesso imediato.

Com o término de uma grande obra na cidade, milhares de pessoas deixaram de circular pela região.

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O dinheiro do caixa caiu rapidamente, as reservas acabaram e Alex percebeu que ainda não estava preparado para tocar um negócio sozinho.

Retomada e formação da 4Life Prime

Ele retornou ao mercado em 2016 como gerente e propôs um ganho baseado totalmente nos resultados financeiros que gerasse para a firma.

Após gerar milhões em comissões, ele vendeu seus imóveis para comprar a empresa e assumir o controle daquela operação.

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Pandemia e expansão acelerada

Com a chegada da pandemia em 2020, Alex decidiu agir rapidamente e estruturou um modelo de testagem dentro das indústrias, cobrindo todos os turnos.

Naquele período, o debate sobre testagem ganhou força, com medidas como a criação de rede de testes para Covid-19 em São Paulo.

A 4Life Prime passou a importar testes da China e dobrou o faturamento anual naquele momento.

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Hoje, a empresa fatura milhões de reais atendendo mais de 3.600 clientes, sendo 90% internacionais.

Alex atribui parte desse crescimento ao apoio da esposa e aos valores aprendidos na infância.

“Aprendi que é muito importante estar no lugar certo, na hora certa e pronto para fazer o melhor que puder. Relacionamentos sólidos e respeito pelas pessoas abrem portas que o currículo sozinho não abre”, contou ao Exame.