A crise no Corinthians assusta muitos torcedores há alguns anos. Em 2024, o Timão passou apuros por quase todo o Campeonato Brasileiro e ocupa um lugar na zona de rebaixamento.
Na tentativa de espantar má fase e voltar a vencer no torneio, a diretoria investiu pesado e trouxe o atacante holandês Memphis Depay, além do ponta peruano André Carillo. Porém, do ponto de vista de um empresário, a conta pode não fechar. Saiba mais.
Dívida do Corinthians pode levar clube à falência?
Em junho de 2024, a dívida do Corinthians atingiu a marca de R$ 2,310 bilhões, segundo balanço divulgado pelo próprio clube.
Memphis Depay fechou contrato válido até junho de 2026 e terá um salário próximo da casa dos R$ 3 milhões mensais, com o valor total da operação estimado em mais de R$70 milhões. Maior parte do valor, contudo, deve ser pagar pela casa de apostas Esportes da Sorte, patrocinadora máster do clube.
O empresário Urandir Fernandes de Oliveira, CEO de um banco digital BDM Bank, analisou a situação financeira do time paulista. Segundo ele, o clube enfrenta uma série de desafios que, se não forem corrigidos rapidamente, poderão levar a uma crise financeira sem precedentes.
Os sete problemas financeiros mais graves do Corinthians
Os sete fatores apontados como principais para o agravamento da crise, segundo Urandir são:
1. Dívida total em ascensão
A dívida do Corinthians teve um aumento significativo em relação a 2023. Esse montante inclui R$1,6 bilhão de passivo do clube e R$710 milhões referente ao financiamento da Neo Química Arena.
2. Déficit operacional
No primeiro semestre de 2024, o clube teve um déficit (prejuízo) de R$ 30,3 milhões, quando a previsão orçamentária era de ter um superávit (lucro) de R$ 15 milhões. Esse rombo nas contas piorou a situação financeira.
3. Receitas menores do que esperado
O Corinthians planejava arrecadar R$ 125 milhões em patrocínios, mas embolsou apenas R$105,3 milhões, R$19,7 milhões a menos do que o esperado. A queda nas receitas de bilheteria e direitos de transmissão também contribuíram para o agravamento da situação.
4. A dívida da arena
O financiamento da Neo Química Arena com a Caixa Econômica Federal permanece como um dos principais pontos de preocupação da diretoria, totalizando em R$ 710 milhões.
5. Despesas elevadas
O Corinthians teve R$ 96,3 milhões em despesas financeiras no primeiro semestre de 2024, englobando multas contratuais com patrocinadores e jogadores, além de juros sobre as dívidas.
6. Folha salarial incompatível com a realidade
Segundo Urandir, o clube paulista segue com uma folha salarial alta, que consome uma grande parcela das receitas operacionais. A política de contratações de jogadores caros e os altos salários têm pressionado ainda mais o orçamento.
7. Falta de planejamento
O especialista considera que a falta de um planejamento financeiro estratégico a longo prazo tem levado o clube a decisões imediatistas, sem a devida análise de seus impactos a médio e longo prazo. Segundo ele, isso tem dificultado a recuperação e a renegociação das dívidas.
Para viabilizar a chegada de Depay, o Corinthians elaborou um plano financeiro audacioso que inclui a captação de recursos por meio de parcerias comerciais, renegociação de patrocínios e projeção de receitas futuras com vendas de jogadores.
A diretoria corintiana também aposta no impacto midiático da contratação, que deve impulsionar o marketing e gerar novas oportunidades de receita, tanto no Brasil quanto no exterior.
A assessoria do Corinthians foi procurada e a matéria será atualizada em caso de resposta do clube.
*A análise da matéria foi feita plenamente pelo empresário especialista na área de finanças Urandir Fernandes de Oliveira e não contém a opinião do jornalista autor da reportagem ou da Gazeta.
