De Zaire a RD Congo: país mudou de nome e sediou luta histórica de Muhammad Ali

Para a RD Congo, a memória daquela noite de 1974 permanece como um momento de orgulho nacional

Ponto turístico de RD Congo

Moldada por regimes autoritários, a identidade nacional presenciou conflitos armados e um dos maiores espetáculos esportivos da humanidade/Edouard Mihigo/Pexels

A República Democrática do Congo (RD Congo), localizada no coração da África, carrega uma história de transformações profundas.

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Moldada por regimes autoritários, a identidade nacional presenciou conflitos armados e um dos maiores espetáculos esportivos da humanidade.

Conhecido hoje por seu vasto território e desafios socioeconômicos, o país já atendeu por diversos nomes, refletindo as cicatrizes de sua colonização e as ambições de seus líderes.

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Mudanças de nome do Congo

A trajetória nominal do país é um reflexo direto de sua instabilidade política.

Entre 1885 e 1908, a região foi ironicamente chamada de Estado Livre do Congo, sendo, na verdade, uma propriedade pessoal e brutalmente explorada pelo rei Leopoldo II da Bélgica.

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Após o período como Congo Belga e a independência em 1960, o país passou a se chamar República Democrática do Congo.

No entanto, a mudança mais emblemática ocorreu em 1971.

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O ditador Mobutu Sese Seko, que chegou ao poder após uma série de golpes com o apoio dos Estados Unidos e da Bélgica, renomeou a nação como República do Zaire.

Todavia, a alteração fazia parte de uma política de “autenticidade” africana, embora Mobutu governasse de forma impiedosa. Somente em 1997, após a queda de Mobutu e em meio a um cenário de guerras internas, o nome retornou para República Democrática do Congo.

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A luta histórica de Muhammad Ali e George Foreman

Em 1974, enquanto o mundo voltava os olhos para o então Zaire, Mobutu buscou legitimar sua imagem internacional patrocinando “A Luta do Século”.

O combate entre os pesos-pesados Muhammad Ali e George Foreman não foi apenas um evento esportivo; foi um marco cultural e político.

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Então, o promotor Don King, então em início de carreira, convenceu Mobutu a investir US$ 10 milhões (valores da época) para levar a luta a Kinshasa.

Ali havia perdido sua licença anos antes por se recusar a lutar na Guerra do Vietnã.

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Ele chegou ao país como um herói do povo negro e dos oprimidos. Pelas ruas de Kinshasa, o grito da multidão ecoava: “Ali, bomaye!” (“Ali, mate-o”, em língua lingala).

Estratégia “rope-a-dope” e o triunfo de Ali

A luta ocorreu na madrugada de 30 de outubro de 1974, no Estádio Tata Raphael.

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Contra um George Foreman mais jovem, mais forte e considerado favorito, Ali utilizou a tática que ficaria conhecida como “rope-a-dope”.

Ele se encostava nas cordas do ringue, usando a elasticidade para absorver os golpes devastadores de Foreman, esperando o oponente se cansar sob o calor úmido do Congo.

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No oitavo assalto, com Foreman exausto, Ali desferiu uma sucessão de socos que culminou em um nocaute histórico.

Muhammad Ali reconquistava, após dez anos, o cinturão mundial de pesos-pesados, consolidando-se como o maior de todos os tempos.

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Legado presente nas ruínas

Hoje, o palco daquela batalha épica, o Estádio Tata Raphael, exibe os sinais do tempo e da falta de investimento em um país que enfrenta o pior IDH do planeta.

O local ainda é reverenciado por jovens pugilistas congoleses, apesar da decrepitude e da pobreza que cerca a capital Kinshasa.

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Lá, eles treinam entre os escombros, buscando absorver a “força de Ali” que ainda parece pairar no ar.

Para a RD Congo, a memória daquela noite de 1974 permanece como um momento de orgulho nacional, um breve respiro de glória em uma história frequentemente marcada por conflitos e reconstruções.