Duas torres residenciais em Milão abrigam milhares de árvores, arbustos e plantas distribuídas ao longo de varandas, com o objetivo de reduzir a poluição e o calor urbano da cidade mais industrializada da Itália.
O conceito nasceu da ideia de “reflorestar” verticalmente uma metrópole densa, trazendo os benefícios de uma floresta real para dentro do ambiente urbano.
O Bosco Verticale (Floresta Vertical) foi idealizado pelo arquiteto Stefano Boeri, do escritório Boeri Studio, e inaugurado em outubro de 2014 no bairro de Porta Nuova. As duas torres têm, respectivamente, cerca de 80 e 112 metros de altura, somando dezenas de apartamentos.
Como o Bosco Verticale se tornou um marco para a arquitetura sustentável?
O jardim vertical reúne cerca de 800 árvores de grande e médio porte, além de milhares de arbustos e plantas de forração, totalizando quase 20 mil espécies vegetais. Esse volume de vegetação equivale a cerca de 2,5 hectares de floresta, caso fosse distribuído horizontalmente.
A cortina verde ajuda a filtrar o gás carbônico e partículas de poluição, funcionando como um verdadeiro pulmão para o bairro. Além disso, contribui para reduzir o efeito de ilha de calor, comum em grandes centros urbanos.
O sucesso do Bosco Verticale rendeu ao empreendimento o International Highrise Award de 2014 e o título de “arranha-céu mais bonito e inovador do mundo”, concedido pelo Council on Tall Buildings and Urban Habitat.
Qual é o gasto de água de um jardim vertical?
A manutenção do jardim vertical em uma fachada exige um sistema de irrigação inteligente. No Bosco Verticale, tudo é controlado por uma central computadorizada, que direciona água automaticamente para cada planta, sem depender dos moradores.
O cálculo da necessidade de rega não é padronizado. Ele varia conforme a exposição solar de cada fachada e a distribuição da vegetação em cada andar, garantindo que nenhuma planta receba água em excesso ou de menos.
Para reduzir o consumo do abastecimento tradicional, o projeto aposta no reaproveitamento de água. As torres captam água da chuva e reciclam parte das águas provenientes de chuveiros e torneiras para irrigar toda a vegetação das fachadas.
Essa estratégia diminui a dependência da rede pública e torna o sistema mais autossuficiente. Combinada aos painéis solares e eólicos, a gestão hídrica reforça o caráter sustentável do jardim vertical, que busca operar com o mínimo de desperdício possível.
Como as árvores conseguem crescer em varandas tão altas?
Antes de serem plantadas, todas as espécies passaram por dois anos de pré-cultivo em viveiros especializados, o que garantiu resistência ao vento e às condições da fachada. Sistemas de fixação mantêm as raízes seguras mesmo em andares elevados.






