Filha de lenda da Fórmula 1 abre o jogo sobre alcoolismo e a vida em situação de rua

Após enfrentar o vício e viver em abrigo na Inglaterra, ela recuperou a estabilidade e hoje ajuda outras pessoas na mesma instituição

Filha de Innes Ireland, Christianne passou da rotina da Fórmula 1 à situação de rua e encontrou no voluntariado um caminho de volta

Filha de Innes Ireland, Christianne passou da rotina da Fórmula 1 à situação de rua e encontrou no voluntariado um caminho de volta | Reprodução BBC

Christianne Ireland cresceu cercada pelo som dos motores e pela convivência com pilotos famosos.

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Filha de Innes Ireland, ela acompanhava o pai em viagens e fazia parte do cotidiano da Fórmula 1, segundo a BBC.

Ao lembrar desse período, descreve uma rotina agitada, marcada por deslocamentos constantes e encontros inesperados.

Ainda criança, via nomes importantes da categoria circulando pela casa da família.

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Em certos dias, surgia um convite de última hora para jantar com amigos do pai, como Stirling Moss e Frank Williams.

Anos mais tarde, no entanto, sua vida tomou um rumo completamente diferente.

A queda repentina e dolorosa

Em 2016, Christianne perdeu a estabilidade e enfrentou problemas com álcool, o que a levou à situação de rua.

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Em entrevista à BBC, ela afirmou que aquele momento “foi como cair de uma torre de marfim”.

Com 58 anos, dois divórcios e dificuldades financeiras, deixou sua antiga casa em Berkshire.

Ela passou a depender de um abrigo para moradores de rua em Andover, em Hampshire, na Inglaterra.

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Era obrigada a sair do local logo pela manhã e precisava aprender a lidar com um ambiente desconhecido.

A maior luta era evitar a bebida. Ela conta que, se cedesse, “o inferno se instalaria”.

O ponto de virada

Durante o tratamento, Christianne recebeu orientação para participar de atividades voluntárias promovidas pela instituição Unity.

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A partir daí, encontrou um pequeno terreno comunitário em Andover e passou a usá-lo como suporte diário.

“Nos dias em que a situação estava realmente ruim e eu queria sair para comprar uma bebida, tudo o que eu precisava fazer era dar um passo de cada vez e chegar ao meu terreno”, explicou ela.

Ali, o trabalho manual ajudava a organizar os pensamentos e manter distância do álcool.

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Com o passar dos meses, ela recuperou confiança suficiente para conseguir um emprego e alugar um apartamento.

Recomeço inspirador

Hoje, aos 65 anos, Christianne atua como gerente de suporte na própria Unity e também ajuda a administrar um projeto de banco de alimentos.

Ela acredita que o período vivido em Andover foi um dos mais duros de sua trajetória, mas também o mais transformador.

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“De certa forma, olhando para trás, vejo isso como uma cobra trocando de pele, e então eu me encontrei”, disse ela à BBC.

Agora, incentiva outras pessoas a considerarem o voluntariado como uma forma de mudança.

Para Christianne, “nunca é tarde demais para mudar”, e seguir adiante depende de pequenos passos diários.