Tender tinha apenas três meses quando deixou um abrigo em São Paulo rumo ao que parecia ser o início de uma nova vida. Adotado por uma família após integrar a chamada “Ninhada Natal” do abrigo, ele parecia finalmente ter encontrado seu lar definitivo.
Cinco meses depois, aos oito meses de idade, o cão foi devolvido após um episódio comum da fase de filhote: roer parte de uma cadeira. A decisão mobilizou voluntários e reacendeu o debate sobre adoção responsável e expectativas no convívio com animais.
A história ganhou repercussão após ser divulgada pela plataforma Hyppet e pela ONG responsável pelo resgate, gerando uma onda de apoio para que o filhote encontre um novo lar antes de retornar ao abrigo.
Começo parecia promissor
Tender saiu ainda filhote de um abrigo em São Paulo após ser resgatado com a chamada Ninhada Natal. A adoção aconteceu cedo e trouxe a expectativa de uma vida estável ao lado de uma família que se encantou pelo cão.
Nos primeiros meses, ele se adaptou à rotina da casa, mostrando comportamento típico de um cão jovem. Mesmo com inseguranças iniciais, comuns em animais resgatados, começou a criar vínculos e a demonstrar confiança no novo ambiente.
A convivência parecia caminhar bem até que comportamentos naturais da fase de crescimento começaram a aparecer. Entre eles, a necessidade de explorar objetos e testar limites dentro do espaço doméstico.

O ponto de ruptura
O problema que levou à devolução foi considerado simples por especialistas, mas decisivo para a família.
“Eles não se sentiram aptos a realizar o trabalho de adestramento após ele ter roído parte de uma cadeira, e por isso decidiram não ficar mais com ele”, explicou a Associação Esperança dos Animais, ligada à ONG Associação Esperança dos Animais, segundo o portal Amo Meu Pet.
A decisão surpreendeu voluntários e internautas, já que o comportamento faz parte do desenvolvimento natural de filhotes. Tender não apresenta agressividade, segundo relatos da organização, apenas energia típica da idade.
A situação foi compartilhada pela plataforma Hyppet, que pediu apoio para acelerar uma nova adoção e evitar que o cão retorne ao abrigo, onde a adaptação tende a ser mais difícil.
O que Tender precisa agora
Com oito meses e porte médio em desenvolvimento, Tender é descrito como “um amor de companheiro. Extremamente carinhoso e brincalhão.” Apesar disso, pode demonstrar timidez inicial diante de pessoas desconhecidas.
Os voluntários reforçam que mudanças de ambiente impactam diretamente o comportamento emocional dos cães. “Mudar de rotina e de referência dói neles também.” A frase resume a preocupação da equipe com o bem-estar do animal.
Segundo a organização ONG AEA, o objetivo é encontrar um lar preparado para lidar com a fase de aprendizado do filhote, que ainda exige paciência, supervisão e adaptação constante.

Adoção responsável em debate
O caso reacende discussões sobre expectativas irreais na adoção de filhotes. Organizações como a Humane Colorado destacam que o planejamento deve ir além da emoção inicial.
Antes de adotar, é essencial considerar rotina, custos e disponibilidade. Filhotes exigem treinamento, supervisão e energia constante, além de possíveis mudanças de comportamento ao longo do crescimento.
A decisão também precisa ser coletiva dentro da casa, garantindo estabilidade ao animal. Quando há preparo e alinhamento, aumentam as chances de que histórias como a de Tender tenham um desfecho diferente.








