Fim das lágrimas? Ciência revela o segredo de como cortar cebola sem chorar

Pesquisadores revelam que o tipo de faca e a forma do corte fazem toda a diferença

Com uma faca bem afiada e cortes cuidadosos, o choro na cozinha ao cortar cebola pode finalmente se tornar coisa do passado

Com uma faca bem afiada e cortes cuidadosos, o choro na cozinha ao cortar cebola pode finalmente se tornar coisa do passado | 8photo/Freepik

Cortar cebola é um hábito comum na cozinha brasileira, mas quase sempre vem acompanhado de lágrimas involuntárias. O incômodo, que atravessa gerações, agora ganhou uma explicação científica detalhada e uma solução prática.

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Pesquisadores da Universidade Cornell, nos Estados Unidos, realizaram um estudo para entender exatamente por que os olhos ardem ao cortar cebola e como reduzir esse efeito de forma eficaz.

A pesquisa revelou que o problema não está no cheiro forte ou em alguma sensibilidade pessoal, mas em um processo químico e físico que ocorre no momento do corte.

A ciência por trás das lágrimas

Quando a cebola é cortada, suas células são rompidas e liberam uma substância volátil chamada óxido de sin-propanethial-S. Esse composto se espalha rapidamente no ar ao redor.

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Ao entrar em contato com os olhos, a substância provoca uma reação imediata. O organismo interpreta o gás como uma ameaça e produz lágrimas para tentar proteger e limpar a região ocular.

Esse mecanismo de defesa acontece em frações de segundo, o que explica por que o choro surge quase instantaneamente durante o preparo do alimento.

O experimento que revelou o problema

Para entender como essa substância se espalha, os pesquisadores criaram um experimento pouco convencional. Eles desenvolveram um equipamento semelhante a uma guilhotina para simular cortes controlados.

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O objetivo era analisar, com precisão, como diferentes tipos de lâmina e velocidades de corte influenciam a liberação do spray irritante.

As cebolas utilizadas nos testes foram pintadas com tinta spray preta, o que facilitou a visualização das partículas liberadas durante o corte.

Câmeras de alta velocidade e microscópios

O estudo utilizou câmeras de alta velocidade, capazes de registrar detalhes invisíveis a olho nu. Assim, foi possível observar a deformação da cebola no momento do corte. Uma cidade do interior, inclusive, é recordista em plantação de cebola.

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Além disso, técnicas avançadas de velocimetria e correlação digital de imagens permitiram medir a velocidade das partículas lançadas no ar.

Os pesquisadores também compararam o desempenho de diferentes facas, avaliando desde lâminas bem afiadas até utensílios visivelmente desgastados.

Facas cegas geram mais lágrimas

A principal conclusão do estudo é que a quantidade de lágrimas está diretamente ligada à pressão exercida sobre a cebola. Quanto maior a compressão antes do rompimento das células, maior é a liberação do spray químico que causa ardência nos olhos.

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Essa pressão excessiva acontece, principalmente, quando a lâmina não corta de forma limpa. Facas cegas não cortam imediatamente as fibras da cebola. Elas comprimem o vegetal antes de romper suas camadas internas.

Essa compressão cria uma espécie de pressurização interna. Quando a cebola finalmente se rompe, ocorre uma liberação explosiva de gotículas.

Segundo o estudo, em alguns testes essas partículas chegaram a atingir velocidades de até 40 metros por segundo, alcançando facilmente os olhos.

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Facas afiadas são a melhor solução

Já as facas bem afiadas apresentam um comportamento oposto. Elas cortam as camadas da cebola com menos resistência. Com menor pressão aplicada, a quantidade de partículas liberadas no ar diminui significativamente.

Além disso, as gotículas liberadas possuem menos energia, o que reduz o alcance do composto irritante até os olhos.

Compreender como partículas microscópicas se espalham no ar pode ajudar a desenvolver estratégias para reduzir a disseminação de agentes transportados pelo ar.

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Esse conhecimento pode ser aplicado em ambientes de manipulação de alimentos e até em estudos sobre saúde e higiene.

O que fazer para evitar lágrimas

Com base nos resultados, os pesquisadores apontam recomendações simples e eficazes para quem quer cozinhar sem chorar:

  • utilizar sempre facas bem afiadas;
  • evitar pressionar a cebola durante o corte;
  • realizar movimentos lentos e controlados;
  • manter uma postura estável ao cortar.

Essas práticas reduzem drasticamente a liberação do aerossol responsável pela ardência nos olhos.

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Mitos populares não confirmados

Muitas pessoas acreditam que refrigerar a cebola antes do corte ajuda a diminuir o choro. Essa ideia é bastante difundida. No entanto, o estudo da Universidade Cornell não confirmou essa teoria nos testes realizados.

Segundo os pesquisadores, o fator determinante continua sendo a forma do corte e a condição da lâmina, não a temperatura do alimento.

Um problema cotidiano explicado pela ciência

O estudo mostra como situações simples do dia a dia podem ser compreendidas com métodos científicos avançados. Ao revelar o papel da física e da química no corte da cebola, os pesquisadores oferecem uma solução prática e acessível para milhões de pessoas.

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Com uma faca bem afiada e cortes cuidadosos, o choro na cozinha pode finalmente se tornar coisa do passado.