Quem viveu a infância e a juventude entre os anos 1970 e 1980 certamente se lembra da sensação de amarrar os longos cadarços do Kichute para estar pronto para qualquer ocasião, desde a sala de aula até o futebol na rua.
Simples, preto e extremamente resistente, o calçado tornou-se um dos maiores fenômenos de vendas do País, mas acabou sumindo do mercado após décadas de domínio.
O nascimento de um ícone nos gramados do México
O Kichute foi lançado pela Alpargatas em 1970, aproveitando a euforia da Copa do Mundo do México. A proposta era inovadora para a época: unir a resistência de um tênis de lona com a praticidade das travas de uma chuteira, criando um calçado versátil para o uso diário.
Mais do que um item de moda, o Kichute tornou-se um símbolo cultural de seu tempo/Reprodução/YouTubeA estratégia foi um sucesso imediato. Por ser barato e durável, o tênis conquistou todas as classes sociais. Além disso, muitas escolas exigiam o uso de calçados pretos, e o Kichute cumpria esse papel perfeitamente, permitindo que os alunos saíssem direto do recreio para as partidas de futebol.
O sucesso da marca foi tão expressivo que chegou a gerar produtos licenciados, como bolas de futebol, e contou com propagandas estreladas pelo craque Zico.
De símbolo cultural a uniforme de trabalho
Mais do que um item de moda, o Kichute tornou-se um símbolo cultural de seu tempo. Sua durabilidade era tamanha que, na década de 1990, o modelo chegou a ser adotado como parte do uniforme dos garis na cidade de São Paulo.
O visual clássico e a “mística” em torno de sua resistência ainda despertam fortes lembranças afetivas em milhões de brasileiros.
Concorrência global e queda
Declínio do Kichute começou na década de 1990 com a abertura econômica do Brasil/ReproduçãoO declínio do Kichute começou na década de 1990 com a abertura econômica do Brasil.
A chegada de gigantes internacionais como Nike, Adidas e Reebok trouxe novas tecnologias, cores vibrantes e um status de modernidade que o Kichute não conseguia acompanhar, fazendo-o parecer ultrapassado para as novas gerações.
Diante desse cenário competitivo, a Alpargatas optou por uma mudança estratégica, voltando seus esforços para marcas com maior potencial de expansão global, como Havaianas e Topper.
Essa decisão selou o destino do calçado, que teve sua produção oficialmente descontinuada em 1996. Embora tenha sumido das lojas, o Kichute permanece vivo na memória como o tênis que calçou o Brasil em uma era de simplicidade e resistência.




