Fóssil de 7,2 milhões de anos pode mudar a história da origem humana

Osso encontrado na Bulgária indica que ancestrais humanos podem ter surgido fora da África

Os fósseis são de um Graecopithecus sp, espécie de hominídeo europeu que habitava onde hoje estão os Balcãs e a Anatólia

Os fósseis são de um Graecopithecus sp, espécie de hominídeo europeu que habitava onde hoje estão os Balcãs e a Anatólia | Wikimedia Commons

Por décadas, a narrativa da evolução humana foi clara: nossos primeiros ancestrais teriam surgido na África há cerca de 7 milhões de anos, local onde o bipedalismo teria se desenvolvido. 

No entanto, um fóssil encontrado no sítio arqueológico de Azmaka, na Bulgária, está forçando os pesquisadores a reconsiderar esse mapa. O item central dessa reviravolta é um fêmur de 7,2 milhões de anos pertencente ao Graecopithecus sp.

A análise detalhada do osso, publicada na revista Palaeodiversity and Palaeoenvironments, aponta que este primata pré-histórico já apresentava características típicas de locomoção bípede.

O que dizem as pesquisas

Segundo a equipe internacional de cientistas, o fêmur apresenta um colo femoral alongado e orientado para cima, além de uma espessura na camada externa do osso que se assemelha muito à anatomia dos humanos modernos e de seus ancestrais diretos.

O paleontólogo Nikolai Spassov, do Museu Nacional de História Natural da Bulgária, explica que a morfologia do osso indica uma forma intermediária de locomoção. 

O indivíduo, provavelmente uma fêmea de cerca de 24 quilos, vivia em um ambiente de savana às margens de um rio, uma paisagem que, na época, tornava a região dos Bálcãs muito parecida com a atual África Oriental.

De onde viemos?

Até agora, o título de hominídeo mais antigo pertencia ao Orrorin sp., cujos fósseis de 7 milhões de anos foram encontrados no Quênia. 

Se a classificação do Graecopithecus sp. como membro da linhagem humana for confirmada, a origem dos hominídeos seria deslocada da África para a Eurásia.

A teoria defendida pelos pesquisadores é que as mudanças climáticas no final do Mioceno (entre 8 e 6 milhões de anos atrás) reduziram as florestas no Mediterrâneo oriental, forçando os primatas a se adaptarem a campos abertos. 

Essa pressão ambiental teria favorecido o surgimento do bipedalismo e impulsionado migrações para o continente africano, onde a linhagem continuou a evoluir em grupos como os Australopithecus.

O debate científico continua

Apesar do potencial revolucionário da descoberta, a comunidade científica mantém a cautela. 

A classificação do Graecopithecus sp. como um ancestral humano direto ainda é alvo de debate, e os próprios autores do estudo reconhecem que a hipótese precisa de mais testes.

Atualmente, novas escavações estão em curso nos Bálcãs em busca de mais evidências que ajudem a preencher as lacunas dessa nova peça no quebra-cabeça da nossa evolução.