É comum ouvir que alguém tem “cérebro de galinha” quando demonstra distração ou pouca inteligência. Só que a comparação não faz muito sentido quando se olha para o que essas aves conseguem fazer. Pesquisas mostram que galinhas têm habilidades cognitivas mais sofisticadas do que o senso comum costuma imaginar.
Entre os comportamentos estudados está a capacidade de lidar com quantidades. Em experimentos, pintinhos conseguiram acompanhar mudanças na quantidade de objetos escondidos atrás de telas, demonstrando uma espécie de soma e subtração em situações simples.
A descoberta não significa que uma galinha saiba escrever uma operação como “4 – 2 = 2” ou resolver uma equação como um estudante. O que os pesquisadores observaram foi algo mais básico: as aves conseguem representar mentalmente quantidades e acompanhar alterações nelas.
Pintinhos acompanham quantidades
O estudo publicado em 2009 analisou pintinhos com apenas três ou quatro dias de vida. Os pesquisadores apresentaram objetos em pequenos grupos e fizeram com que eles desaparecessem ou fossem acrescentados atrás de telas.
Depois, observaram para qual lado os animais se dirigiam. Os resultados indicaram que os pintinhos acompanhavam as mudanças e procuravam o grupo que continha a maior quantidade.

Em outras palavras, havia uma percepção de “mais” e “menos”. Os experimentos também apontaram que os animais conseguiam acompanhar operações simples de adição e subtração sem qualquer treinamento matemático convencional.
Isso ajuda a explicar por que pesquisadores estudam a capacidade numérica de animais. Antes mesmo de aprender símbolos, palavras ou números escritos, algumas espécies conseguem distinguir quantidades e usar essa informação para tomar decisões.
A memória também surpreende
A matemática não é a única habilidade que chama atenção. Galinhas também demonstram capacidade de reconhecer indivíduos e associar pessoas a experiências anteriores.
Uma publicação do CompreRural, baseada em pesquisas sobre cognição de galinhas, destaca a capacidade dessas aves de diferenciar humanos, outras galinhas e diferentes animais. O material também relata que elas podem associar determinadas pessoas a experiências positivas ou negativas.
Esse tipo de memória ajuda o animal a interpretar o ambiente. Uma pessoa associada à alimentação pode provocar uma reação diferente daquela causada por alguém relacionado a situações de estresse.
A mesma publicação cita estudos que identificaram diferentes vocalizações usadas pelas galinhas em situações específicas, incluindo alertas relacionados a predadores e chamadas associadas à presença de alimento.
Então elas sabem contar?
A resposta depende do que se entende por “contar”.
Galinhas não demonstram domínio da matemática humana, com números escritos, símbolos e operações abstratas. O que os experimentos indicam é uma capacidade de perceber quantidades, comparar grupos e acompanhar mudanças numéricas simples.
Por isso, dizer que elas conseguem “fazer contas” funciona como uma simplificação jornalística. Cientificamente, é mais preciso falar em cognição numérica ou capacidade de representação de quantidade.
O estudo com pintinhos é especialmente interessante porque os animais apresentaram esse comportamento poucos dias depois do nascimento. Os pesquisadores consideraram que os resultados dão suporte à ideia de que certas representações básicas de número fazem parte das capacidades cognitivas de vertebrados.
No fim, a expressão “cérebro de galinha” ganha outro significado. Por trás de um comportamento que parece simples, existe um animal capaz de memorizar informações, reconhecer indivíduos, reagir a diferentes situações sociais e perceber diferenças entre quantidades.






