‘Glifosato tem que ser banido’: o que é a substância que ameaça brasileiros

O glifosato é o "mata-mato" mais usado no Brasil e no mundo e pode chegar à rotina da população pela comida, pela água e pela pulverização. Veja o que dizem ciência, órgãos reguladores e especialistas

Presente no campo e no debate público, o glifosato levanta dúvidas sobre riscos à saúde e ao meio ambiente. Entenda por que a exposição preocupa, quem é mais vulnerável e como o tema é regulado.

Presente no campo e no debate público, o glifosato levanta dúvidas sobre riscos à saúde e ao meio ambiente. Entenda por que a exposição preocupa, quem é mais vulnerável e como o tema é regulado. | Pexels

Glifosato é um herbicida muito usado na agricultura e, por isso, entra no radar de quem pensa em saúde, alimentação e qualidade da água no dia a dia. A discussão vai além do campo: envolve exposição da população, transparência em estudos e decisões de órgãos reguladores.

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Resumo da matéria

Em entrevista ao podcast Conversa Bem Viver, a pesquisadora Larissa Bombardi defende que “no mínimo, a gente tem que exigir o banimento do glifosato”, após a despublicação de um artigo que atestava segurança do produto e depois foi associado a conflitos de interesse.

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Para o público, o que importa é entender o básico: o que é o glifosato, por onde ele pode chegar à vida cotidiana e por que há tanta disputa em torno de “segurança” e “risco”.

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O que é glifosato

O glifosato é um herbicida, usado para controlar plantas daninhas, e muita gente o conhece pelo apelido popular “mata-mato”.

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Na entrevista, Bombardi resume assim: “O glifosato é o agrotóxico mais utilizado no Brasil. É um herbicida que as pessoas popularmente chamam de mata-mato.” (Larissa Bombardi, ao podcast Conversa Bem Viver, do portal Brasil de Fato).

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Quando uma substância é tão usada, a discussão deixa de ser só técnica: passa a envolver rotinas de trabalho, fiscalização, resíduos em alimentos e a confiança do público no processo regulatório.

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Como isso chega à vida da população

Um dos pontos centrais é a exposição — e ela não é igual para todo mundo. Na entrevista, Bombardi afirma que a população “como um todo tá muito exposta”, mas destaca que a exposição mais intensa recai sobre quem vive e trabalha perto do uso intensivo de agrotóxicos.

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Ela também diferencia o contato por resíduos na alimentação do contato direto: “eles estão recebendo isso na pele, eles estão respirando essas substâncias, não é ingerindo os resíduos.” 

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O tema aparece em situações bem concretas, como:

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  • Trabalho rural e circulação em áreas pulverizadas, que aumentam o contato direto.
  • Comunidades próximas a regiões com uso intensivo, incluindo populações indígenas mencionadas na entrevista.
  • Alimentos ultraprocessados, porque resíduos não ficam restritos a frutas e verduras, segundo o exemplo citado a partir de análise do Idec mencionada na conversa.

E existe ainda uma camada que costuma gerar preocupação pública: a ideia de “coquetel” de substâncias. Bombardi chama atenção para o problema de avaliar uma substância de cada vez, quando, na prática, pessoas podem estar expostas a mais de um produto no ambiente e na alimentação.

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Quando o assunto é água, a conversa inevitavelmente esbarra no cotidiano: quem tenta beber 2 litros de água por dia também quer saber o que está bebendo.

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A própria entrevista cita “resíduo de agrotóxico na água” como parte do debate sobre mistura de substâncias e incertezas sobre efeitos combinados.

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O que a ciência e os órgãos reguladores dizem

Uma referência global frequentemente citada é a Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC), ligada à OMS.

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Em 2015, a IARC classificou o glifosato como “provavelmente carcinogênico para humanos” (Grupo 2A), com base em evidências consideradas “limitadas” em humanos e “suficientes” em animais, além de evidências “fortes” de genotoxicidade.

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Esse tipo de classificação costuma gerar confusão porque fala de perigo (hazard) e não é uma conta simples de “vai causar doença em todo mundo”.

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A própria IARC explica que a classificação resume o peso das evidências científicas sobre a possibilidade de causar câncer, não uma previsão individual automática.

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No Brasil, a Anvisa fez uma reavaliação toxicológica e registrou, em documentos técnicos, que o glifosato “não se enquadra nos critérios proibitivos” analisados na reavaliação (como mutagenicidade e carcinogenicidade, entre outros).

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Nos materiais de apresentação da reavaliação, a Anvisa também aponta que o risco maior se relaciona ao trabalhador rural e pessoas que circulam em áreas de lavoura, além de listar medidas regulatórias discutidas no processo, como restrições para jardinagem amadora e critérios sobre componentes/formulações.

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Por outro lado, a entrevista no Brasil de Fato coloca o foco em como estudos e revisões podem influenciar decisões, inclusive quando há questionamentos sobre conflitos de interesse.

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Bombardi descreve o modelo como “como se fosse a raposa cuidando do galinheiro”, ao criticar a lógica de a própria indústria produzir relatórios centrais para registro.

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Por que isso muda o dia a dia

O impacto para a população não é apenas “científico”: ele se traduz em decisões de compra, confiança no que se come e se bebe, e no debate sobre prioridades de fiscalização.

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Quando um assunto envolve um produto amplamente usado, qualquer mudança regulatória pode afetar preços, rotinas de produção e até a oferta de alternativas no campo.

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Também pesa a desigualdade de exposição. A entrevista insiste que os maiores prejudicados tendem a ser trabalhadores rurais e populações que vivem próximas a áreas pulverizadas, porque o contato não depende só do que chega no prato.

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Para o consumidor urbano, a conversa costuma ganhar forma em perguntas simples: “isso está na minha comida?”, “isso pode estar na água?”, “o que é fiscalizado?” — e até em hábitos de compra de itens básicos.

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O interesse do público em rótulos, procedência e escolhas alimentares aparece até em pautas de consumo, como as diferenças dos tipos de ovos no mercado, que puxam discussões sobre produção, padrão e qualidade.

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Na prática, o tema também se mistura com debates sobre água e abastecimento. 

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FAQ: dúvidas comuns sobre glifosato

1) O que é glifosato, em uma frase?
É um herbicida (o popular “mata-mato”) muito usado no Brasil, citado como o agrotóxico mais utilizado no país na entrevista com Larissa Bombardi.

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2) Como a população pode ser exposta ao glifosato?
A exposição pode ocorrer por diferentes vias, incluindo resíduos na alimentação e, com mais intensidade, por contato direto em áreas de uso — “na pele” e pela respiração, como descreve Bombardi ao falar de populações próximas e trabalhadores rurais.

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3) O glifosato está só em frutas e verduras?
Não necessariamente: na entrevista, é citado um trabalho do Idec que analisou ultraprocessados e encontrou presença de glifosato em parte da amostra, reforçando que o tema pode ir além de alimentos frescos.

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4) A ciência diz que glifosato causa câncer?
A IARC (OMS) classificou o glifosato como “provavelmente carcinogênico para humanos” (Grupo 2A) com base no conjunto de evidências avaliadas, o que indica perigo potencial e não uma “sentença” automática para cada pessoa.

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5) O que a Anvisa concluiu sobre o glifosato?
Em documentos técnicos da reavaliação, a Anvisa registrou que o glifosato não se enquadrou nos critérios proibitivos analisados e destacou que o maior risco se relaciona à exposição ocupacional e em áreas de lavoura.