Casas Bahia: Justiça suspende demissões de quase 2 mil funcionários, proíbe novos cortes e manda empresa retomar benefícios

Decisão do TRT-10 determina a reinclusão dos trabalhadores atingidos na folha e exige negociação sindical antes de novas dispensas em massa

Casas Bahia (Foto_ Carina Caracol_Wikimedia Commons)

Justiça suspende demissões coletivas do Grupo Casas Bahia /Carina Caracol/Wikimedia Commons

A Justiça do Trabalho suspendeu as demissões coletivas realizadas pelo Grupo Casas Bahia entre os dias 13 e 17 de agosto.

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A decisão do TRT-10 (Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região) também proibiu novos cortes em massa até que a empresa cumpra as exigências legais de negociação com os sindicatos.

A liminar foi concedida na terça-feira (18/8) pela juíza Katarina Roberta Mousinho de Matos, em uma ação movida pela CNTC (Confederação Nacional dos Trabalhadores no Comércio).

Segundo a entidade, quase 2 mil trabalhadores foram desligados sem negociação sindical prévia.

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A medida ocorre após o grupo anunciar o fechamento de 298 lojas e poucos dias depois de vir à tona o pedido de recuperação judicial da companhia, que possui uma dívida estimada em R$ 17,3 bilhões.

A decisão ainda pode ser contestada por meio de recurso.

Funcionários terão benefícios restabelecidos

Pela determinação, o Grupo Casas Bahia terá cinco dias após ser intimado para restabelecer os vínculos jurídicos e econômicos dos trabalhadores atingidos pelas demissões.

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Isso inclui a reinclusão na folha de pagamento e a retomada dos benefícios previstos nos contratos.

Os planos de saúde e demais benefícios assistenciais cancelados em razão dos desligamentos deverão ser restaurados em até 48 horas.

A decisão, porém, não determina a reabertura das 298 lojas fechadas nem garante a permanência definitiva dos funcionários.

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A empresa poderá realocar os trabalhadores para funções compatíveis em unidades que continuarem funcionando ou mantê-los afastados, com remuneração, enquanto a liminar estiver em vigor.

As verbas rescisórias já pagas também não precisarão ser devolvidas neste momento.

Casas Bahia terá de negociar com sindicatos

A Justiça determinou que novas demissões coletivas só poderão ocorrer após negociação coletiva prévia, conforme entendimento estabelecido pelo STF no Tema 638.

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A empresa não está impedida de reduzir o quadro, fechar unidades ou reorganizar sua estrutura, mas deverá envolver os sindicatos antes de dispensas em massa.

A Casas Bahia também terá de convocar, em até 48 horas, a CNTC e os sindicatos responsáveis para iniciar formalmente as negociações.

Entre as informações que deverão ser apresentadas estão o número de trabalhadores afetados, as unidades envolvidas, as etapas da reestruturação e possíveis alternativas de realocação.

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Em caso de descumprimento, a multa poderá chegar a R$ 500 por dia para cada trabalhador atingido.

Para novas demissões realizadas sem participação sindical, a penalidade prevista é de R$ 10 mil por funcionário.

A decisão também determinou a preservação de documentos e dados relacionados ao plano de transformação da empresa desde janeiro de 2026, incluindo e-mails, mensagens corporativas, planilhas, registros de folha e documentos de rescisão.

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Segundo Guiomar Vidor, vice-presidente da CNTC, a decisão representa uma medida importante para preservar os direitos dos trabalhadores.

A entidade informou que pretende criar uma mesa nacional de negociação com participação da empresa e do Ministério Público do Trabalho (MPT) para discutir as demissões e uma possível reversão dos desligamentos.