Entre os inúmeros sucessos no Brasil nos anos 1980, algumas marcas nacionais de tênis também dominaram o público, se tornando ícones culturais e peças que não podiam faltar entre a população, especialmente entre os mais jovens.
Entre as marcas, se destacavam Kichute, Rainha, Conga Bamba, Conga e Montreal, todas elas com características únicas que conquistaram apoiadores e clientes fiéis.
Com uma onda nostálgica sempre presente, as marcas acabam sempre sendo relembradas até hoje, mesmo após perderem espaço para marcas renomadas no mercado internacional.
Kichute: resistência no esporte
Muito popular nas décadas de 1970 e 1980, a Kichute foi uma marca brasileira focada em calçados esportivos. Seu primeiro modelo foi lançado em 1970 pela Alpargatas, com os festejos do tricampeonato mundial da Seleção Brasileira.
O tênis era simples, porém muito robusto, sendo bastante resistente para a prática de esportes como futebol e vôlei. No auge do sucesso, a Kichute chegou a vencer mais de nove milhões de pares por ano, sendo um dos maiores lucros da Alpargatas.
Com o avanço do tempo e a chegada internacional na concorrência, o calçado foi perdendo força, até perder espaço nas prateleiras e lojas.
No início dos anos 2000, a marca já havia deixado o mercado. A chegada forte de empresas renomadas no ramo esportivo acabou dando resultados, com os clientes optando pelas marcas novas.
Em 2022, o Grupo Alexandria anunciou que faria o relançamento de alguns modelos do Kichute, com previsão para serem lançados em 2023. Porém, até a produção desta matéria, ainda não estava à venda.
Um sucesso no Brasil nos anos 1980 que retornou para a alegria dos fãs foi o refrigerante Slice.
Rainha: sucesso esportivo
A marca Rainha surgiu em 1934, pela Saad&Cia, mas ganhou ainda mais notoriedade em 1978, quando foi comprada pela Alpargatas. A partir deste momento, a produção começou a ser em grande escala, com foco nos calçados esportivos.
Com a tecnologia autoclave, a marca trouxe uma inovação no mercado de tênis, sendo a primeira marca esportiva a ter um acordo de patrocínio com uma equipe: a Pirelli.
A empresa se tornou símbolo no esporte na década de 1980, ajudando na profissionalização do vôlei no Brasil.
Anos mais tarde, com a concorrência já tendo assumido o protagonismo, a marca foi vendida em 2015 para a BR Sports, do Grupo Sforza, liderado pelo empresário Carlos Wizard Martins.
Mesmo longe de seu auge do sucesso, a Rainha mantém operações online e lojas físicas em São Paulo e Minas Gerais.
Conga: sucesso pioneiro
Outra marca da Alpargatas a fazer muito sucesso entre os brasileiros foi a Conga. Surgiu em 1959 e atingiu seu auge entre os anos 1960 e 1970, seguindo como uma das mais vendidas no Brasil na década de 1980.
A linha foi descontinuada no início dos anos 1990, com a chegada da concorrência e perda de clientes para marcas que vieram de fora.
Hoje, Conga não é mais uma marca, mas segue existindo como um modelo de calçados por outras empresas, como Arezzo e Anacapri.
Bamba: o All-Star brasileiro
A Alpargatas teve outro sucesso inspirado no Conga: o Bamba, que também se inspirava no design dos famosos All Star norte-americanos.
Com um solado de borracha e com o tênis sendo de lona, a marca apresentava uma grande variedade de cores e modelos para todos os públicos.
Assim como os outros modelos, sua popularidade começou a cair no começo dos anos 1990, quando foi descontinuado. O motivo foi o mesmo que os demais: perda de espaço para os concorrentes internacionais.
Nos anos 2000, o Bamba retornou ao mercado com novas cores e formatos, para aproveitar a alta demanda da tendência retrô.
Em 2022, a mesma empresa que anunciou o retorno do Kichute informou que faria um retrofit do Bamba, mas assim como o outro modelo, não teve nenhum lançamento até agora.
Montreal: sucesso na televisão
Sucesso no Brasil, a Montreal ganhou destaque nos anos 1980, chegando até a marcar presença no programa “Domingo no Parque”, apresentado por Silvio Santos.
Na atração, crianças participavam de brincadeiras em que podiam ganhar prêmios e uma das opções de recompensa eram os tênis Montreal, o que ajudou a aumentar a visibilidade e o desejo pelo produto.
O tempo passou e a marca foi vendida e passou a ser produzida em Nova Serrana, Minas Gerais. Mas o auge já havia passado, e a marca enfretnou dificuldades com a concorrência.
Com as redes sociais quase inativas e o site oficial fora do ar, a empresa indica que deve ter deixado o mercado.
Nostalgia brasileira
Esses modelos de calçados esportivos, certamente, ficarão na memória dos amantes de esporte e dos adolescentes dos anos 1970 e 1980.
A sensação de nostalgia toma conta e, sempre que o assunto vier à tona, as marcas seguirão sendo lembradas pelos fãs.





