O que fazer quando o aparelho de comunicação fica sem bateria? Para Jessica Fletcher, a solução foi tatuar um teclado no próprio braço. A mãe criou o recurso para ajudar Hunter, de 11 anos, a formar palavras quando não pode usar o dispositivo eletrônico.
Moradora de Fredericton, em New Brunswick, no Canadá, Jessica teve a ideia depois de uma situação em que o filho ficou sem seu principal recurso para se comunicar. Autista não falante, Hunter utiliza recursos de Comunicação Aumentativa e Alternativa (CAA).
O caso foi noticiado no início de agosto pela emissora canadense CTV News.
Ideia surgiu durante um pedido no restaurante
A decisão veio depois de um episódio em que a bateria do aparelho de Hunter acabou enquanto mãe e filho estavam em um restaurante. “De repente, ele ficou sem voz”, escreveu Jessica na página Hunter’s Voice, no Facebook.
Para ajudá-lo, ela pediu papel e caneta e escreveu as letras do alfabeto. Hunter, porém, virou a folha e desenhou um teclado no padrão QWERTY, usado em computadores e celulares.
Como já aprendia a digitar pelo aplicativo Proloquo4Text, aquele formato era familiar.
“Assim que terminou de desenhá-lo, usou o teclado para me dizer exatamente o que queria comer. Aquele momento mudou tudo”, contou Jessica.
Tatuagem ganhou palavras além das letras
Depois do episódio, Jessica percebeu que Hunter precisava de uma alternativa que não dependesse de bateria, conexão ou equipamento eletrônico. A mãe já havia usado pranchas de comunicação à prova d’água, mas nem sempre conseguia levá-las consigo.
“Se a comunicação só existe quando a tecnologia está disponível, então ela não é verdadeiramente acessível. Acessibilidade significa ter opções”, afirmou.
Por isso, o teclado tatuado também recebeu as opções “sim”, “não” e “Eu amo você”, além de símbolos relacionados a emoções. Esses elementos foram acrescentados pela tatuadora.
Braço virou alternativa em diferentes ambientes
A tatuagem não substitui os dispositivos de CAA usados por Hunter. Ela funciona como uma opção adicional em piscinas, praias, trilhas e outros locais nos quais carregar um equipamento eletrônico pode ser difícil.
“Agora, Hunter sempre tem uma maneira de se comunicar comigo, não importa onde estejamos”, disse Jessica.
Um vídeo publicado na página Hunter’s Voice mostra o menino tocando nas letras tatuadas para formar palavras e alcançou milhões de visualizações.
A repercussão também levou a família a buscar uma versão sem tatuagem. Jessica fez parceria com uma empresa para produzir camisetas com o teclado impresso na manga.
“Esta tatuagem não é sobre tinta. É sobre garantir que a voz do meu filho nunca esteja fora de alcance.”






