Maior terremoto do século na Colômbia teve magnitude 7,4, liberou 60 vezes mais energia que desastre de 1999 e foi sentido até fora do país

Abalo alcançou cidades distantes e fez o Eixo Cafeeiro reviver uma tragédia; profundidade ajuda a entender o fenômeno

Legenda: Imagens aéreas mostram as buscas nos escombros em Cali, em 2026, e a destruição deixada pelo terremoto de Armenia, em 1999. (Foto: Divulgação/Raquel Cunha e Javier Casella)

Legenda: Imagens aéreas mostram as buscas nos escombros em Cali, em 2026, e a destruição deixada pelo terremoto de Armenia, em 1999. (Foto: Divulgação/Raquel Cunha e Javier Casella)

Às 7h34 de segunda-feira (10/8), o chão começou a balançar devido a um terremoto no oeste da Colômbia. Em Cali, Pereira e Manizales, moradores deixaram os prédios às pressas. No Eixo Cafeeiro, o susto trouxe de volta o desastre de 1999, que matou mais de 1.100 pessoas.

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O novo abalo foi mais forte e nasceu muito mais fundo. Mesmo assim, alcançou cidades distantes e foi percebido fora do país.

A comparação entre os dois casos ajuda a entender por que terremotos de grande magnitude não provocam o mesmo impacto em todos os lugares.

Tremor profundo

O epicentro foi localizado perto de San José del Palmar, no departamento de Chocó. O Serviço Geológico Colombiano calculou magnitude 7,4 e profundidade de 103 quilômetros. Foi o maior terremoto registrado no país neste século.

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Encontro de placas

A Colômbia fica em uma área onde grandes blocos da crosta se encontram. No oeste do país, a placa de Nazca avança sob o continente sul-americano, movimento chamado subducção.

O terremoto ocorreu dentro dessa placa, depois que ela já havia mergulhado dezenas de quilômetros. Segundo o USGS, as rochas deslizaram lateralmente e liberaram a tensão acumulada. A energia seguiu pelas camadas da Terra como ondas sísmicas.

A rede colombiana registra, em média, 2.500 sismos por mês. A maioria é fraca demais para ser percebida.

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Como chegou tão longe

O ponto onde a ruptura começa é o hipocentro. A partir dele, as ondas seguem em várias direções. Quanto maior a energia liberada, maior pode ser a área alcançada.

A profundidade também muda o impacto. Um foco a 103 quilômetros tende a concentrar menos o sacolejo junto ao epicentro do que um evento raso de tamanho semelhante. As ondas, porém, podem alcançar uma área extensa.

Mais de 12 mil pessoas, distribuídas por cerca de 900 localidades, relataram ter sentido o terremoto. Houve registros até no Panamá e na Venezuela. A magnitude 7,4 e a origem profunda ajudam a entender por que o tremor chegou tão longe.

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Tamanho não define danos

Magnitude e intensidade medem coisas diferentes. A primeira indica o tamanho do terremoto na origem. A segunda muda de cidade para cidade e considera a força do tremor e os danos em cada ponto.

Distância do epicentro, tipo de solo e resistência das construções alteram o resultado. Duas cidades igualmente distantes podem balançar de formas diferentes por causa do terreno e da segurança dos prédios.

A escala de magnitude também não é linear. Cada ponto representa cerca de 32 vezes mais energia. Pelos cálculos apresentados pelo USGS, o evento de 7,4 liberou aproximadamente 60 vezes mais energia que o terremoto de magnitude 6,2 ocorrido em 1999.

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Por que o terremoto de 1999 marcou

O desastre de 1999 começou a apenas 17 quilômetros da superfície. Embora tenha liberado menos energia, a ruptura rasa ocorreu perto de áreas povoadas e levou um sacolejo intenso às cidades do Eixo Cafeeiro. Armenia ficou entre os locais mais destruídos.

O saldo de mais de 1.100 mortos transformou aquele dia em uma referência para os moradores da região. Por isso, o novo tremor não foi recebido apenas como outro número na escala. Ruas voltaram a encher, famílias esperaram fora dos edifícios e a torre da catedral de Manizales, um dos símbolos locais, sofreu danos.

Depois do terremoto vêm as réplicas

Dezenas de réplicas foram registradas desde o abalo principal. Elas surgem enquanto as rochas ao redor da área rompida se acomodam e podem persistir por dias, semanas ou meses.

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A ciência consegue localizar zonas de risco e acompanhar esses movimentos quase em tempo real. Ainda não é possível, porém, prever a data, o horário e a magnitude exatos do próximo terremoto.

Na manhã de terça-feira, equipes ainda removiam escombros e mantinham as buscas. No Eixo Cafeeiro, voltar à rotina dependeria primeiro do fim dos resgates e da avaliação dos danos.