Tragédia ambiental: um dos maiores lagos do mundo secou e virou um deserto fantasma

Conheça a história do gigante de água que desapareceu e deu lugar ao deserto de Aralkum

Leito seco do lago está repleto de algas mortas, sal e destroços de navios abandonados

Leito seco do lago está repleto de algas mortas, sal e destroços de navios abandonados | Freepik

Imagine um lugar que já foi chamado de mar das ilhas por abrigar mais de cem pequenas porções de terra cercadas por água. Atualmente, o cenário do antigo Mar de Aral é composto apenas por cascos de navios abandonados no meio de um deserto de sal. 

Essa mudança radical ocorreu em poucas décadas, transformando um ecossistema vibrante em um ambiente seco e hostil.

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O preço alto da produção de algodão

O sonho de transformar estepes áridas em impérios têxteis motivou o governo soviético a realizar obras de engenharia colossais. Para alimentar as plantações de algodão, os técnicos desviaram os rios Amu Dária e Syr Dária de seus cursos naturais. 

No entanto, os canais construídos eram precários e permitiam que a maior parte da água fosse desperdiçada antes de chegar ao destino. De acordo com dados da FAO, cerca de 60% de toda a água desviada se perdia por vazamentos ou evaporação intensa. 

Consequentemente, o nível do lago começou a baixar de forma alarmante a partir da década de 1960. Esse desequilíbrio hídrico gerou um colapso que impediu a reposição natural do reservatório, condenando a região à seca.

A morte de um gigante e o nascimento do deserto

Com a redução drástica do volume de água, a concentração de sal subiu a níveis insuportáveis para a vida marinha. A salinidade chegou a superar em três vezes a dos oceanos, o que dizimou as espécies nativas em pouco tempo. 

Além disso, a próspera indústria pesqueira local desapareceu, provocando o fechamento de fábricas e a migração de milhares de famílias. O antigo leito do mar deu lugar ao deserto de Aralkum, uma das formações desérticas mais jovens do planeta Terra. 

Esse território é coberto por uma mistura tóxica de areia, sais e resíduos de fertilizantes usados na agricultura intensiva. Portanto, o clima regional tornou-se mais extremo, já que não existe mais a massa de água para regular as temperaturas.

Uma barreira verde contra as tempestades

Atualmente, uma iniciativa liderada pelo Cazaquistão busca mitigar os efeitos desse desastre ambiental através do Projeto Oásis. A estratégia consiste em plantar saxauls-negros, um tipo de arbusto nativo que resiste bravamente ao solo salino e seco. 

Esses vegetais são fundamentais para fixar a areia e impedir que as tempestades de poeira espalhem poluentes. O projeto de restauração atua em uma área de 500 hectares e foca em tornar o ambiente menos árido. 

Além do mais, essas plantas ajudam a barrar os impactos negativos causados pelas mudanças climáticas globais na Ásia Central. Dessa forma, o plantio constante de saxauls representa uma esperança real para estabilizar o solo e proteger as comunidades vizinhas.