Mistério e dor: o que a ciência da aviação aprendeu com a queda do Fokker 100 da TAM em São Paulo?

Acidente do Fokker 100 da TAM: 30 anos após a queda da aeronave diversas medidas de segurança foram implementadas

99 pessoas, ao todo, morreram na tragédia.

99 pessoas, ao todo, morreram na tragédia/Foto: Reprodução/YouTube

Há 30 anos, a história da aviação brasileira sofreu uma dolorosa transformação. Na ensolarada manhã de 31 de outubro de 1996, a queda do Fokker 100 da TAM mudou a rotina do bairro Jabaquara, em São Paulo, em apenas 24 segundos. Entenda quais aprendizados foram tirados desse triste capítulo da história da aviação.

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Este desastre permanece registrado como o evento mais fatal do mundo envolvendo o modelo Fokker 100. Todos os 96 passageiros e mais três pessoas em solo perderam a vida. Para além dos números frios, o evento gerou uma onda de processos judiciais complexos e longos por indenizações.

Queda abrupta

Era 8h25 quando o Fokker 100, sob o prefixo PT-MRK, iniciou sua corrida pela pista de Congonhas rumo ao Rio de Janeiro. Estava tudo nos conformes quando, algumas frações de segundo após as rodas deixarem o solo, o destino de 96 ocupantes da aeronave e moradores da rua Luís Orsini de Castro mudou abruptamente.

O avião perdeu sustentação, incapaz de ganhar altitude, e colidiu violentamente contra o solo. O estrondo que se seguiu à decolagem do aeroporto de Congonhas foi ensurdecedor. Várias residências da região foram destruídas.

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O que causou a perda de sustentação do Fokker 100?

No momento em que um acidente aéreo acontece, os motivos já começam a ser especulados. O problema é que as investigações iniciais duram, no mínimo, 90 dias.

Ainda em 31 de outubro de 1996, jornais publicaram que a TAM havia recebido ameaça de bombas em seus aviões. O avião que caiu no final de outubro passou por inspeções da Polícia Federal em setembro.

A varredura foi solicitada depois que a Infraero recebeu ligações anônimas sobre o suposto risco de explosão de bomba numa aeronave da TAM.

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No dia do acidente, o Sindicato Nacional dos Aeroviários afirmou que as empresas brasileiras investiam pouco em manutenção e que os voos tinham baixo nível de segurança.

Nos dias seguintes ao acidente, a principal suspeita da polícia era falha mecânica. Algumas possibilidades descartadas naquele momento ou consideradas quase remotas eram: falha provocada por aparelho celular e atentado ou sabotagem.

Quando o verdadeiro motivo da tragédia do voo 402 foi revelado, a comunidade aeronáutica internacional espantou-se. A investigação do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) apontou como fator decisivo a abertura não comandada do reversor de empuxo do motor direito.

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Esse é um mecanismo de segurança projetado exclusivamente para direcionar o fluxo de ar para a frente, o que auxilia na frenagem do avião após o pouso na pista.

Com o sistema acionado acidentalmente em plena fase de subida extrema, a força que deveria empurrar o avião para a frente passou a freá-lo de um dos lados, gerando uma assimetria aerodinâmica fatal e impossibilitando o controle por parte dos pilotos.

30 anos depois: o que mudou?

Nenhuma tragédia aérea é em vão quando se trata de prevenção. As falhas de engenharia descobertas no projeto original da fabricante Fokker forçaram mudanças drásticas em escala global. Alguns exemplos são:

  • Redundância de sistemas: sensores e travas adicionais foram implementados para garantir que os reversores nunca se abram em pleno voo;
  • Treinamento de tripulação: os simuladores de voo passaram a incluir cenários específicos de falha de reversor na decolagem;
  • Fiscalização rigorosa: órgãos reguladores internacionais revisaram as certificações de aeronaves com sistemas semelhantes.