‘Muralha da China’ de Goiás: o paredão de 15 km que intriga o Brasil

Muralha é composta exclusivamente por blocos de basalto negro, uma rocha vulcânica de extrema durabilidade

Formação corta a Área de Proteção Ambiental (APA) da Serra das Galés e da Portaria, apresentando características que desafiam a compreensão imediata

Formação corta a Área de Proteção Ambiental (APA) da Serra das Galés e da Portaria, apresentando características que desafiam a compreensão imediata | Divulgação/Prefeitura de Paraiúna

Localizada em Paraúna, no sudoeste de Goiás, uma impressionante estrutura de pedra com 15 quilômetros de extensão tem despertado a curiosidade de historiadores e turistas.

Conhecida como Muralha de Ferro ou Muralha de Pedra, a formação corta a Área de Proteção Ambiental (APA) da Serra das Galés e da Portaria, apresentando características que desafiam a compreensão imediata.

Blocos de basalto negro fixados com óleo de baleia

A muralha é composta exclusivamente por blocos de basalto negro, uma rocha vulcânica de extrema durabilidade.

O que mais intriga os visitantes é a disposição meticulosa das pedras, que em alguns trechos se assemelham a degraus, alcançando mais de dois metros de altura e 1,5 metro de largura.

Existem teorias populares e registros históricos, como os do historiador Alódio Tovar, que sugerem que a estrutura poderia ter sido construída por mãos humanas para servir de divisão entre os povos Inca e Maia.

A crença de que os blocos teriam sido fixados com óleo de baleia, uma substância comum em construções coloniais litorâneas, mas improvável no coração do Brasil é outro destaque.

Outra curiosidade histórica no coração brasileiro é a descoberta do primeiro vulcão do mundo, com uma idade estimada em cerca de 1,9 bilhão de anos.

A explicação científica: um evento de 130 milhões de anos

Estrutura teria se formado entre 135 e 130 milhões de anos atrás/Divulgação/Prefeitura de Paraiúna

Apesar das lendas, o geólogo Silas Gonçalves esclareceu, em entrevista ao G1, que a “construção” é, na verdade, um fenômeno geológico natural muito anterior a qualquer civilização.

A estrutura teria se formado entre 135 e 130 milhões de anos atrás, durante a fragmentação do supercontinente Gondwana e a abertura do Oceano Atlântico Sul.

De acordo com o especialista, o alinhamento que lembra um muro é resultado de:

  • Derrames de lava basáltica que recobriram a região;
  • Resfriamento e fraturamento térmico, que criaram rachaduras geométricas naturais nos blocos;
  • Erosão diferencial, que desgastou as rochas mais frágeis ao redor, deixando a “muralha” de basalto resistente em evidência.

Quanto ao “óleo de baleia”, pesquisadores explicam que a substância encontrada nas fendas é, na verdade, um dique de diabásio — magma que escorreu e resfriou dentro das rachaduras da própria rocha.

Turismo e dinossauros em Paraúna

cachoeira desengano prefeitura paraunaA Cachoeira do Desengano é uma das mais famosas e pode ser visitada sem guia./Prefeitura de Paraúna

Além da muralha, a região é um polo de ecoturismo e ciência. Em 2021, pesquisadores confirmaram que dinossauros terópodes (carnívoros bípedes) habitaram o local, após a descoberta de um dente fossilizado na Serra da Portaria.

O Parque Estadual de Paraúna (PEPa) oferece outras atrações impressionantes, como:

  • Formações rochosas exóticas: rochas que lembram figuras como uma tartaruga, um cálice, uma bigorna e um chapéu;
  • Cachoeiras: a Cachoeira do Desengano é uma das mais famosas e pode ser visitada sem guia.

Embora a contratação de guias não seja obrigatória, ela é recomendada por questões de segurança.