NASA descobre como Júpiter deve ficar depois da morte do Sol, depois de James Webb visitar planeta com metano e névoa densa

Pesquisadores descobriram um planeta gigante que orbita uma estrela morta e pode ajudar a explicar o que acontecerá com Júpiter quando o Sol chegar ao fim de sua vida

Observações do Telescópio James Webb revelaram uma atmosfera inesperada em um planeta distante, oferecendo pistas sobre a evolução dos gigantes gasosos após a morte de suas estrelas (Foto: NASA/JPL/University of Arizona)

Observações do Telescópio James Webb revelaram uma atmosfera inesperada em um planeta distante, oferecendo pistas sobre a evolução dos gigantes gasosos após a morte de suas estrelas (Foto: NASA/JPL/University of Arizona)

Um planeta gigante localizado a cerca de 80 anos-luz da Terra está intrigando os astrônomos. Além de apresentar uma atmosfera rica em metano e envolta por uma espessa névoa, ele pode guardar pistas sobre o destino de Júpiter quando o Sol chegar ao fim de sua existência.

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A descoberta foi possível graças ao Telescópio Espacial James Webb, que identificou características inesperadas na atmosfera do planeta WD 1856 b. Os resultados sugerem que mundos gigantes podem sobreviver à morte de suas estrelas e, bilhões de anos depois, assumir órbitas completamente diferentes.

Embora esse cenário pareça distante, ele ajuda a responder uma das grandes perguntas da astronomia: o que acontecerá com os planetas do Sistema Solar quando o Sol deixar de existir como o conhecemos?

Planeta diferente chamou a atenção dos cientistas

O planeta WD 1856 b orbita uma anã branca, nome dado ao núcleo remanescente de uma estrela após ela consumir seu combustível. Com massa estimada em cerca de sete vezes a de Júpiter, ele se tornou um laboratório natural para estudar a evolução de sistemas planetários.

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As novas observações mostraram que sua atmosfera contém metano e aerossóis, pequenas partículas que formam uma espécie de névoa. Esse fenômeno lembra o que acontece em Titã, a maior lua de Saturno, famosa por sua atmosfera espessa e alaranjada.

Além disso, os pesquisadores descobriram que a atmosfera registra temperaturas entre aproximadamente 117°C e 139°C. O valor surpreendeu a equipe, já que a energia emitida pela estrela indicava que o planeta deveria ser muito mais frio.

Explicação pode mudar o que sabemos

Segundo os cientistas, a temperatura elevada indica que WD 1856 b provavelmente não permaneceu próximo da estrela durante sua fase de gigante vermelha. Em vez disso, ele teria sobrevivido em uma órbita distante antes de migrar para perto da anã branca bilhões de anos depois.

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“Antes dessas observações do James Webb, não sabíamos nada sobre a composição e as nuvens de planetas próximos que orbitam anãs brancas”, afirmou Ryan MacDonald, pesquisador da Universidade de St Andrews, no Reino Unido, e principal autor do estudo, segundo o G1.

O pesquisador acrescentou: “E este é apenas o primeiro passo, pois recentemente fizemos mais quatro medições do WD 1856 b com o James Webb para analisar com mais profundidade as propriedades da atmosfera do planeta”.

O que isso revela sobre o futuro de Júpiter

Daqui a cerca de 5 bilhões de anos, o Sol deverá se transformar primeiro em uma gigante vermelha e, depois, em uma anã branca. Nesse processo, os planetas mais internos serão profundamente afetados, enquanto gigantes gasosos como Júpiter têm grandes chances de sobreviver.

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Mesmo assim, as órbitas desses planetas poderão mudar ao longo de bilhões de anos. “Nosso resultado mostra um caminho que os planetas podem seguir depois da morte de uma estrela, com sua órbita se deslocando para mais perto da anã branca”, explicou MacDonald.

O cientista ainda destaca uma possibilidade curiosa: “Se Júpiter se aproximar suficientemente da anã branca, suas luas poderão até se aquecer e se tornar potencialmente habitáveis”.

Apesar disso, os pesquisadores ressaltam que esse não é necessariamente o destino do maior planeta do Sistema Solar. A descoberta apenas demonstra que gigantes gasosos podem sobreviver à morte de suas estrelas e passar por transformações surpreendentes muito tempo depois.