Quase 70% dos brasileiros ganham salários de até R$ 3.242 no País, aponta IBGE

Raio-x da Pnad Contínua revela alta concentração de renda nas faixas mais baixas do mercado de trabalho brasileiro

A renda do trabalho no Brasil tem uma base larga e salários curtos. Dados da Pnad Contínua mostram o peso das ocupações com menor remuneração e ajudam a dimensionar o desafio de milhões de famílias para manter as contas em dia / Pixabay/Pexels

Sete em cada dez trabalhadores no Brasil ganham no máximo R$ 3.242 por mês, o equivalente a dois salários mínimos, apontam microdados da Pnad Contínua do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

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O raio-x traçado revela que a limitação financeira no País atinge 69,1% da população ocupada, um universo de 103,1 milhões de pessoas nos setores formal e informal que dependem dessa faixa de renda para fechar as contas.

Trabalhadores concentrados nas faixas salariais mais baixas representam a grande base da economia nacional, segundo o estudo do economista Bruno Imaizumi, da consultoria 4intelligence e divulgado no Valor Econômico.

O grupo que ganha entre um e dois salários mínimos abrange 36,9% da população ocupada, enquanto a fatia que recebe até um piso nacional soma 32,2%. Na soma geral, essa combinação deixa quase 70% dos trabalhadores operando no limite orçamentário.

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Distribuição de renda e salários no Brasil

Trabalhadores com renda restrita a exatos R$ 1.621 somavam 33,2 milhões de brasileiros no segundo trimestre de 2026. A distribuição da população ocupada expõe a enorme distância para os ganhos mais elevados: 

  • 1,8% da população ocupada não possui rendimento por atuar como auxiliares familiares;
  • 9,4% ganham até meio piso (R$ 810,50);
  • 21% recebem entre meio e um salário;
  • 36,9% ficam entre um e dois salários mínimos;
  • Apenas 30,9% superam o patamar dos dois salários mínimos, o equivalente a 31,86 milhões de pessoas.

O topo da pirâmide é mínimo, visto que somente 1,8% ganha entre 10 e 20 salários (entre R$ 16.210 e R$ 32.420) e meros 0,5% ultrapassam os 20 pisos nacionais (R$ 32.421 ou mais).

Disparidade salarial entre Nordeste e Sul

A desigualdade regional profunda atinge os trabalhadores do Nordeste, onde 55,9% da população ocupada ganham no máximo um salário mínimo no segundo trimestre de 2026. Já o Sul registra o cenário oposto, com apenas 17,3% da população ocupada nessa situação.

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O Maranhão amarga o pior índice do país, com 58,5% dos trabalhadores limitados ao piso, enquanto Santa Catarina ostenta o melhor resultado nacional, com só 11,6% dos trabalhadores nessa faixa.

Limite de dois salários mínimos e renda média

A renda média de R$ 3.738 apontada pelo IBGE esconde a real fratura do país ao simular um patamar de 2,3 salários mínimos por pessoa.

Esse indicador médio acaba distorcido por incluir na mesma conta desde os trabalhadores sem remuneração até a elite de altíssima renda. Na prática, a barreira dos dois salários mínimos isola a grande maioria da população ocupada em patamares que mal cobrem o custo de vida básico.

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Projeções salariais para 2027

O reajuste do piso nacional previsto para 2027 pode levar o salário a R$ 1.741, o valor é R$ 120 maior que o salário mínimo atual e R$24 acima da última estimativa que foi divulgada em abril.

A projeção do Ministério da Fazenda reflete o ajuste da inflação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) combinada ao crescimento real do PIB, impactando em cheio a dinâmica econômica do país.

O salário mínimo é balizador para o mercado de trabalho como um todo e não só o formal. E o que vemos é que a grande maioria ganha no máximo dois salários mínimos, então o reajuste dita a regra do jogo da renda no país, afirmou o economista Bruno Imaizumi, da consultoria 4intelligence ao Valor Econômico.

O novo valor integrará a proposta do Orçamento da União enviada ao Congresso e afetará diretamente a aposentadorias e outros benefícios. A definição oficial do reajuste, no entanto, só sairá após a divulgação da inflação acumulada até novembro.