Quando o foguete Pegasus XL se desprendeu do avião Stargazer sobre o Pacífico, em 3 de julho, carregava um satélite com pouco tempo para cumprir uma missão inédita. O LINK precisava alcançar o Swift, segurá-lo com braços robóticos e empurrá-lo para uma órbita mais alta.
A operação prolongaria a vida de um observatório que trabalha há quase 22 anos e perde altitude rapidamente. Sem esse impulso, a Nasa prevê que o Swift reentre na atmosfera terrestre e se desintegre ainda em 2026.
A Katalyst Space Technologies construiu o LINK em apenas nove meses para evitar esse desfecho. Pouco depois do lançamento, no entanto, a tentativa de resgate começou a sair do planejamento, antes mesmo que o satélite chegasse perto do observatório.
LINK começou a girar
No fim de julho, a equipe percebeu que o LINK girava sem controle e se comunicava de maneira irregular com o solo. Engenheiros da Katalyst conseguiram estabilizá-lo, mas gastaram parte do tempo disponível para a aproximação durante a recuperação.
Em seguida, uma avaliação dos sistemas revelou outros problemas. Dois dos três volantes de reação, equipamentos responsáveis por orientar a nave, deixaram de funcionar. O LINK também perdeu parte da capacidade dos propulsores a gás frio.
Apesar das falhas, o satélite continuou recebendo energia e enviando informações. Os problemas no controle de atitude, porém, tornaram arriscada a etapa mais delicada da operação: aproximar o LINK, capturar o Swift e mantê-los unidos durante a elevação da órbita.
Por isso, na quarta-feira (19), Nasa e Katalyst cancelaram a manobra. O encontro, que já havia sofrido um atraso de aproximadamente um mês, deixou de ter o resgate como objetivo.
Swift superou previsão
Engenheiros projetaram o Swift para cumprir uma missão inicial de dois anos, após seu lançamento em 2004. O observatório superou essa previsão, operou por mais de duas décadas e se tornou uma ferramenta importante para localizar explosões de raios gama e acompanhar outros fenômenos no Universo.
Seus instrumentos observam o céu em luz visível, ultravioleta, raios X e raios gama. Com essa combinação, o Swift consegue identificar um evento e mudar rapidamente de posição para acompanhá-lo.
Nos últimos anos, contudo, o arrasto atmosférico acelerou a perda de altitude. O aumento da atividade solar aquece e expande as camadas superiores da atmosfera, o que amplia a resistência sobre equipamentos que circulam em órbita baixa.
Diante do risco, equipes da Nasa e da Universidade Estadual da Pensilvânia modificaram as operações do Swift para mantê-lo acima de aproximadamente 300 quilômetros e preservar uma oportunidade de resgate. Ainda assim, a margem diminuiu antes que o LINK pudesse alcançá-lo.
Encontro ainda ocorrerá
Mesmo sem conseguir salvar o observatório, o LINK deverá continuar seu trajeto. Agora, a equipe pretende aproximá-lo do Swift sem realizar a captura. A operação permitirá testar câmeras, sistemas de navegação e procedimentos que poderão ajudar outras missões.
“Vamos aprender tudo o que pudermos com a tentativa de encontro do LINK e colocar essas lições em prática nas missões que se seguirão”, afirmou o administrador da Nasa, Jared Isaacman.
Enquanto aguarda essa aproximação, o Swift continua trabalhando e enviando dados, apesar da perda de altitude. A Nasa pretende recorrer a outros observatórios para cobrir parte das pesquisas, mas nenhum deles reúne sozinho todas as funções desempenhadas pela missão.
Assim, o LINK encontrará o Swift sem cumprir o resgate que motivou sua construção. Os registros da aproximação, entretanto, poderão orientar futuras tentativas de consertar, abastecer ou reposicionar satélites que não contam com estruturas próprias para receber manutenção no espaço.






