Onde nasceu a humanidade? Estudos apontam a origem do Homo sapiens com muito mais precisão

África segue como origem do Homo sapiens, mas cientistas ainda disputam o ponto mais provável

O estudo da origem da humanidade é conhecido como antropogênese, e combina história, biologia, antropologia, filosofia e arqueologia

O estudo da origem da humanidade é conhecido como antropogênese, e combina história, biologia, antropologia, filosofia e arqueologia | Jakub Hałun / Wikimedia Commons

A busca por respostas move a humanidade desde o princípio, e, dentre elas, está a origem da nossa própria espécie, a antropogênese. Apesar de haver consenso de que o Homo sapiens surgiu na África, estudos recentes tentam deixar esse ponto ainda mais preciso.

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Porém, essa busca se centra em dois pontos focais diferentes: a origem dos primeiros hominídeos, primatas que começaram a evoluir separadamente dos demais grandes primatas; e, por fim, a origem do humano moderno (Homo sapiens).

Divergência “familiar”

É comum tratar humanos como uma espécie única e isolada dos outros animais; porém, biologicamente, somos membros dos grandes primatas. O que significa que humanos e macacos descenderam de um ancestral comum. Porém, isso mudou em algum momento.

Segundo o Programa de Origens Humanas do Smithsonian, o ponto de divergência entre essas linhas evolutivas foi com o Sahelanthropus tchadensis, uma espécie de hominídeo datada de cerca de 6 a 7 milhões de anos atrás.

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Essa espécie foi encontrada a partir do crânio parcial, apelidado de Toumai, encontrado em 2002 no Chade (Foto: Bjoertvedt / Wikimedia Commons)Essa espécie foi encontrada a partir do crânio parcial, apelidado de Toumai, encontrado em 2002 no Chade (Foto: Bjoertvedt / Wikimedia Commons)

Esses primeiros hominídeos eram muito mais semelhantes aos chimpanzés do que os humanos modernos. Muitos nem mesmo tinham a capacidade de andar sobre as duas pernas.

Essas linhagens primitivas evoluiram e se desenvolveram por milhões de anos. Surgiram ramos mais evoluídos, como os australopitecos e, por fim, o surgimento do gênero Homo, no qual estão o Homo erectus, o “primeiro bípede”, e o Homo habilis.

Por meio de miscigenação e disputa por territórios, as espécies de hominídeos foram se tornando cada vez mais homogêneas. O Homo sapiens sapiens, ser humano, é a última espécie de hominídeo presente no planeta.

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As últimas espécies “parentes” da humanidade a serem extintas foram os neandertais, denisovanos, Homo floresiensis e, possivelmente, Homo luzonensis (Foto: Jakub Hałun / Wikimedia Commons)

E o Homo sapiens?

A origem do chamado homem moderno é um dos principais pontos de conflito na comunidade científica. Uma das principais tentativas de cravar um local exato foi um estudo publicado em 2019 que apontava até mesmo coordenadas para a origem da humanidade.

Conduzido por Chan et al., o estudo previa o ponto de origem no antigo sistema úmido MakgadikgadiOkavango, em Botsuana, com coordenadas em 20,75° S / 25,50° E (Foto: Castell / Wikimedia Commons)Conduzido por Chan et al., o estudo previa o ponto de origem no antigo sistema úmido Makgadikgadi–Okavango, em Botsuana, com coordenadas em 20,75° S / 25,50° E (Foto: Castell / Wikimedia Commons)

Porém, essa previsão foi duramente criticada e refutada a partir de revisões recentes, como uma publicada em 2021. As críticas partiam do ponto de que foi utilizado um marcador genético, o mtDNA, como ponto de referência, mas existem diversos outros a serem utilizados.

A teoria mais aceita atualmente ainda é a pan-africana generalista: a de que os primeiros Homo sapiens surgiram em algum ponto da África. Porém, achados recentes, como o próprio estudo de Chan, tentam encontrar maior precisão.

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A formulação mais robusta hoje é esta: os fósseis mais antigos amplamente aceitos de Homo sapiens vêm da África: Jebel Irhoud, no Marrocos, com 315 ± 34 mil anos, e Omo I, na Etiópia, com idade mínima de 233 ± 22 mil anos.

Em 2026, um novo estudo sobre fósseis de Casablanca, no Marrocos, datados de cerca de 773 mil anos, reforçou uma linhagem africana profunda ligada à origem de Homo sapiens, mas também não fixou um “berço” único.