Toda mulher já passou: vestir uma calça jeans nova e perceber que os bolsos não existem ou são falsos, costurados apenas para suprimir razões estéticas.
Outras vezes, os compartimentos das peças femininas são tão apertados que sequer cabem as mãos, enquanto as roupas do vestuário masculino possuem bolsos espaçosos e úteis.
Segundo informações da editora digital The Pudding, o bolso de um jeans feminino costuma ser, em média, 46% mais raso que um bolso masculino, e apenas 40% das calças femininas têm espaço suficiente para guardar um smartphone.
A razão para essa questão remonta a outros períodos da história, onde mulheres não eram vistas como membros da sociedade que precisavam do “fator independência” que caminha lado a lado com os bolsos.
A saga dos ‘bolsos femininos’ durante a história mundial
Foi a partir do século 19 que o público masculino recebeu bolsos costurados diretamente em suas roupas, para carregar consigo documentos pessoais e demais itens que julgassem necessários.
No entanto, a moda é um reflexo de seu tempo e da sociedade que está inserida.
Portanto, com as mulheres desempenhando funções laborais dentro do regime familiar, não se enxergava a necessidade de suas roupas terem compartimentos extras.
Quando se fala das mulheres da alta sociedade, principalmente as brancas, a coisa ainda aumenta de figura: se suponha que não haviam motivos para que elas saíssem às ruas carregando algo além de uma sombrinha.
Afinal, essas mulheres, ao deixarem o ambiente doméstico, estariam sempre acompanhadas de algum homem.
Revolução na moda, mas não por muito tempo
Durante a Primeira Guerra Mundial, os homens estavam ao encargo de marcharem rumo aos campos de batalha, o que deixou as mulheres responsáveis pelos postos de trabalho em fábricas e escritórios.
Agora, por pressão feminina, os espartilhos e roupas apertadas davam espaço a calças e macacões. A reivindicação por bolsos nas roupas das mulheres passou a ser questão de necessidade.
Todavia, com o fim da Segunda Guerra Mundial, em 1954, a moda que por si só é cíclica retornou para peças hiper femininas, que suavizam a silhueta e tinham como único objetivo maximizar beleza e curvas, enquanto conforto e praticidade nem entravam na equação.
A moda continua não servindo ao estilo de vida feminino
Embora as tendências venham se atualizado de década em década, e e grandes acontecimentos sociológicos e políticos mundiais influenciem a moda por completo em suas respectivas épocas, o cenário continua muito parecido.
As mulheres do século 21 seguem sofrendo com a falta de praticidade em seu próprio vestuário.
A falta de bolsos ou o tamanho minúsculo deles nas peças destinadas a esse público denotam os resquícios do sexismo e disparidade de gênero de outras eras que ainda abarcam nossa sociedade.

