Por que SP decidiu fabricar 190 milhões de mosquitos com bactéria?

Unidade da Oxitec pode produzir 190 milhões de mosquitos por semana; operação aguarda autorização da Anvisa

Técnica de substituição populacional já integra o Programa Nacional de Combate à Dengue.

Técnica de substituição populacional já integra o Programa Nacional de Combate à Dengue. | Divulgação/Fiocruz

Campinas, no interior paulista, passou a abrigar uma biofábrica da Oxitec preparada para produzir mosquitos Aedes aegypti infectados com a bactéria Wolbachia, tecnologia que bloqueia a transmissão de dengue, zika e chikungunya. 

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A unidade tem capacidade para gerar até 190 milhões de mosquitos por semana, mas só iniciará a produção após autorização excepcional da Anvisa — pedido feito em março e ainda sem previsão de resposta.

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Enquanto a empresa aguarda o aval regulatório, a promessa é usar “caixinhas” com ovos para disseminar a Wolbachia em áreas urbanas, estratégia já incorporada ao PNCD desde janeiro e aplicada em ao menos 11 cidades brasileiras.

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Como funciona a tecnologia

A Wolbachia é uma bactéria intracelular que não se transmite a humanos ou animais e está naturalmente em cerca de 60% dos insetos.

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Inserida no Aedes aegypti, ela impede que os vírus da dengue, zika e chikungunya se multipliquem no mosquito, reduzindo assim o risco de transmissão quando o inseto pica uma pessoa.

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Produção e logística da biofábrica

A biofábrica de Campinas não só cria insetos, mas produz caixinhas que guardam ovos do mosquito com Wolbachia.

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Dentro das caixas há também uma dieta que permite às larvas se desenvolverem ao receber água. Ao eclodirem, os mosquitos adultos saem por pequenos furos e iniciam o acasalamento local.

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Dados práticos

Alguns números e características que ajudam a entender o alcance da iniciativa:

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  • Capacidade anunciada: até 190 milhões de mosquitos por semana.
  • Autonomia das caixinhas: 28 dias.
  • Área de proteção por caixinha: até 5.000 metros quadrados.
  • Validação: método já testado em diversos países.

O status junto à Anvisa

A empresa solicitou autorização excepcional à Anvisa em março, mas ainda não recebeu o aval para começar a produzir.

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Em nota ao portal g1, a agência afirmou que “ainda ainda não há autorização da Anvisa para a produção de mosquitos com a bactéria Wolbachia pela empresa Oxitec”. A Anvisa disse também que o tema está na sua Agenda Regulatória e que o processo será analisado com prioridade conforme o cenário epidemiológico.

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Desde janeiro, a técnica de substituição populacional com Wolbachia faz parte do Programa Nacional de Combate à Dengue (PNCD) do Ministério da Saúde.

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Segundo o texto original, o método já está em uso em ao menos 11 cidades brasileiras, o que mostra adoção crescente dentro do país.

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Por que isso importa para você

A proposta promete diminuir casos de dengue e outras arboviroses de forma sustentável, sem uso de pesticidas tóxicos.

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A ideia é que, ao substituir gradualmente a população local de Aedes por mosquitos que não transmitem vírus, o risco de surtos diminua com o tempo.