Quase todos os moradores dessa cidade vivem em um só condomínio, que tem lojas e até delegacia

Em uma remota cidade do Alasca, a maior parte dos habitantes divide o mesmo endereço, em um prédio que reúne moradias e serviços essenciais

Com cerca de 200 moradores sob o mesmo teto, Whittier desafia a ideia tradicional de cidade e desperta a curiosidade de turistas do mundo todo (Foto: Gillfoto/Wikimedia Commons)

Com cerca de 200 moradores sob o mesmo teto, Whittier desafia a ideia tradicional de cidade e desperta a curiosidade de turistas do mundo todo (Foto: Gillfoto/Wikimedia Commons)

Imagine viver em uma cidade onde quase todos os seus vizinhos moram no mesmo prédio. Essa realidade existe em Whittier, uma pequena cidade cercada por montanhas no Alasca, Estados Unidos. Por lá, a maior parte da população vive em um único edifício que concentra apartamentos, serviços públicos e parte da rotina dos moradores.

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Embora pareça cenário de filme ou experimento social, a cidade funciona normalmente e atrai visitantes curiosos para conhecer um dos lugares mais incomuns do planeta.

Além da peculiaridade residencial, Whittier guarda uma história ligada ao setor militar e à geografia estratégica que moldou seu desenvolvimento ao longo das últimas décadas.

Ligados por um mesmo endereço

Segundo o Censo dos Estados Unidos de 2020, Whittier possui 272 habitantes. Desse total, aproximadamente 200 vivem no Begich Towers, um edifício de 14 andares que se tornou o símbolo da cidade e uma das construções mais curiosas da América do Norte.

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O prédio reúne muito mais do que apartamentos. No local, os moradores encontram correios, pequenas lojas, delegacia e outros serviços que facilitam a vida em uma região marcada por invernos rigorosos e longos períodos de neve.

Por causa dessas características, muitas pessoas acreditam que a cidade se resume ao edifício. No entanto, Whittier possui outras construções espalhadas pela região, formando uma comunidade pequena, mas funcional, cercada por paisagens impressionantes.

Como um prédio militar virou lar

A origem do Begich Towers ajuda a explicar por que tantos moradores vivem sob o mesmo teto. Inicialmente, o edifício foi projetado para atender necessidades militares em uma área considerada estratégica para os Estados Unidos.

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A localização de Whittier oferecia vantagens importantes. O porto de águas profundas permanecia livre de gelo durante boa parte do ano, enquanto as montanhas garantiam proteção natural e dificultavam possíveis ataques aéreos.

Após a Segunda Guerra Mundial e durante os primeiros anos da Guerra Fria, a região recebeu novas estruturas. Com o passar do tempo e após o grande terremoto do Alasca em 1964, que provocou um tsunami, a presença militar diminuiu e o edifício foi convertido em moradia.

Cidade conectada por túneis

O clima extremo levou os moradores a desenvolver soluções práticas para o dia a dia. Algumas construções da cidade são ligadas ao Begich Towers por túneis subterrâneos, permitindo deslocamentos mais seguros durante os meses mais frios.

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Entre essas estruturas está a escola local, utilizada pelas crianças da comunidade. Dessa forma, muitos deslocamentos podem ser feitos sem a necessidade de enfrentar neve intensa, ventos fortes ou temperaturas congelantes.

Essa adaptação ao ambiente reforça o caráter único de Whittier, onde a geografia influencia diretamente a maneira como a população vive, trabalha e se relaciona com o espaço urbano.

Isolamento virou atração turística

Chegar à cidade já faz parte da experiência. O acesso terrestre ocorre por um túnel sob a montanha Maynard, com quase cinco quilômetros de extensão. O trajeto opera em horários específicos e permite passagem em apenas um sentido por vez.

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Apesar do isolamento, Whittier recebe turistas durante diferentes épocas do ano. No verão, navios de cruzeiro levam visitantes interessados em explorar glaciares, montanhas e a natureza exuberante da região.

A curiosa rotina dos moradores também desperta atenção nas redes sociais. Vídeos publicados por residentes e viajantes acumulam milhões de visualizações, mostrando que, mesmo distante dos grandes centros, Whittier continua fascinando pessoas ao redor do mundo.