A empresa chinesa UBTech apresentou, em um evento com clima de ficção científica em Shenzhen, o U1, um robô humanoide de tamanho real que busca combater a solidão.
Durante o lançamento, que contou com a participação do DJ norueguês Alan Walker, a companhia revelou como a tecnologia pode atuar como um “companheiro emocional”.
Com pele macia e voz suave, o androide escuta os problemas dos usuários durante as 24 horas do dia.
Além disso, o sistema de inteligência artificial permite que a máquina aprenda o comportamento de quem a utiliza conforme o tempo passa.
Tecnologia de cuidado e saúde do robô humanoide chinês ultrarrealista
O projeto foca em dois grupos demográficos gigantescos na China: os 120 milhões de solteiros e os mais de 320 milhões de idosos. Nesse cenário, o modelo U1 identifica sinais de fadiga ou estresse no usuário e oferece palavras de conforto imediatamente.
O robô também monitora a saúde, emite lembretes para o horário de medicamentos e até sugere roupas adequadas para o dia.
Contudo, a UBTech estabelece limites claros para a funcionalidade do aparelho. O humanoide move a cabeça, os olhos e a boca com realismo, mas não realiza tarefas domésticas, como cozinhar, limpar a casa ou passar roupa.
Da mesma forma, o fabricante descarta o oferecimento de relações íntimas “por enquanto”.
Personalização e valores do robô
Os interessados podem adquirir o modelo inicial por 119.800 yuans (aproximadamente R$ 91 mil). Para quem busca maior sofisticação, as versões mais completas alcançam o valor de 990.000 yuans (cerca de R$ 753 mil).
A empresa oferece versões masculina (1,83 metro) e feminina (1,68 metro), permitindo ainda que o cliente personalize a aparência para se parecer com celebridades ou até entes queridos.
Sobre os riscos à privacidade, a UBTech afirma que utiliza criptografia para proteger as interações e garante que não usa os dados para treinar outros modelos de inteligência artificial.
A estratégia soberana de Pequim
O governo chinês estabeleceu a robótica como uma prioridade estratégica no plano quinquenal de 2026 a 2030. Atualmente, o país domina o setor e respondia por 85% dos equipamentos mundiais instalados em 2025.
Somente no último ano, mais de 140 empresas chinesas lançaram centenas de modelos diferentes.
Enquanto o Ocidente ainda demonstra ceticismo, a sociedade chinesa apresenta ampla aceitação para a integração de robôs no cotidiano.
Projeções de mercado indicam que o setor de humanoides na China pode movimentar US$ 2 bilhões ainda este ano, saltando para US$ 15 bilhões até o fim da década.
Com o U1, a UBTech tenta agora consolidar o mercado de robôs voltados ao grande público, um segmento que historicamente apresentava baixa rentabilidade.
