A sonda Mars Express capturou novas imagens impressionantes ao sobrevoar em baixa altitude uma região geológica de Marte, moldada por antigos fluxos de água há bilhões de anos.
A espaçonave foi lançada em 2003 e é operada pela ESA (Agência Espacial Europeia). Ela está equipada com a Câmera Estereoscópica de Alta Resolução, que escaneia múltiplos pontos de perspectiva em regiões da superfície de Marte para criar imagens coloridas em 3D.

Durante uma passagem baixa em sua órbita altamente elíptica, a Mars Express sobrevoou as Terras Altas do Sul do planeta e a Cratera Schiaparelli.
A Cratera Schiaparelli se localiza em uma região densamente craterizada das Terras Altas do Sul de Marte, onde um clima mais úmido e quente sustentava fluxos de água que moldaram a geografia do planeta há 3,7 bilhões de anos, de acordo com o vídeo da Mars Express da ESA. Schiaparelli mede mais de 460 km de diâmetro e possui certa fama na ficção.
Perdido em Marte, com Matt Damon
A cratera é o local onde o astronauta Mark Watney, interpretado pelo ator Matt Damon (estrela de “A Odisséia”), fica preso no filme “Perdido em Marte” (The Martian), de Andy Weir. Ela também compartilha o nome com o módulo de pouso Schiaparelli da ESA, que caiu na superfície de Marte em 2016 (mas não estava se dirigindo para a Cratera Schiaparelli).
Ambos os nomes homenageiam o astrônomo italiano Giovanni Schiaparelli (1835–1910), que fez observações detalhadas de Marte durante a maior aproximação do planeta em 1877.
Schiaparelli criou um mapa de “canali”, palavra italiana para “canais”, que ele viu como linhas escuras na superfície do planeta, as quais ele supôs estarem cheias de água.
Perdido na tradução
Posteriormente, essa descrição foi traduzida erroneamente por astrônomos de língua inglesa como “canals”, o que levou à especulação sobre a existência de vida inteligente em Marte construindo estruturas artificiais.
Embora essa hipótese sobre as características da superfície marciana tenha sido refutada por astrônomos posteriores (até o momento, não há evidências de já tenha existido vida inteligente em Marte), descobriu-se posteriormente que o planeta já teve corpos d’água ativos em sua superfície.
As contribuições de Schiarapelli para o campo da astronomia foram tão significativas que lhe renderam a homenagem de uma cratera em Marte com seu nome.
Apesar de seu enorme diâmetro, Schiaparelli é considerada rasa em comparação a outras crateras marcianas de tamanho semelhante. Ela já foi muito mais profunda, mas sedimentos depositados pelo vento e antigos fluxos de água, erupções vulcânicas e detritos de impactos de asteroides preencheram a cratera ao longo dos últimos bilhões de anos.
Além de apresentar as novas imagens da Mars Express, o vídeo da ESA também explica como o satélite utiliza sua Câmera Estereoscópica de Alta Resolução para observar cinco ângulos de visão simultâneos em um espectro de quatro cores enquanto sobrevoa o planeta em baixa órbita.
Essas passagens em baixa órbita permitem que a Mars Express capture extensas áreas de dados 3D que abrangem centenas a milhares de quilômetros de comprimento e dezenas de quilômetros de largura.
Esses dados são então unidos para formar mapas regionais mais completos, que podem ser adicionados ao modelo cada vez mais complexo que os cientistas estão construindo de todo o globo marciano.
