Dezenas de destroços de navios nazistas afundados há mais de 80 anos voltaram a emergir do leito do rio Danúbio, na Sérvia e na Hungria. O fenômeno aconteceu devido à seca prolongada que reduziu drasticamente o nível das águas.
O ocorrido não é inédito: episódios semelhantes já haviam sido registrados em 2022 e 2024, quando secas e ondas de calor atingiram a bacia do Danúbio. Ele é o segundo maior rio da Europa, com 2.850 km de extensão entre a Floresta Negra, na Alemanha, e o Mar Negro, na Romênia.
Como os navios nazistas afundaram no Danúbio?
Entre 1941 e 1944, a Alemanha nazista e seus aliados ocuparam parte dos Bálcãs, região geográfica e histórica situada no sudeste da Europa com territórios de países como a Sérvia, Albânia, Romênia, entre outros.
O Exército Vermelho iniciou uma ofensiva que avançou rapidamente da Bielorrússia até a Ucrânia, o que enfraqueceu as posições alemãs no leste europeu.
Com o avanço soviético, a frota alemã do Mar Negro, que era formada por cerca de 200 embarcações, entre navios de guerra, caça-minas e cargueiros, recebeu ordens para recuar para o oeste através do Danúbio.
Para impedir que os soviéticos capturassem e reaproveitassem as embarcações e para bloquear a passagem pelo estreito desfiladeiro de Djerdap, os próprios alemães afundaram dezenas de navios ao longo do curso do rio, perto de Prahovo, em 1944.
Como a operação foi feita em caráter emergencial, a prioridade alemã foi retirar tropas e impedir o avanço inimigo. O problema é que, com isso, muitas embarcações foram abandonadas com armamento, munição e explosivos ainda a bordo.
Os navios afundados representam risco real?
Sim. Parte considerável dessas embarcações ainda carrega explosivos e munições não detonadas, um legado direto do conflito que fez os alemães afundarem os próprios navios para impedir seu uso pelas forças soviéticas.
Além do risco de explosão, os destroços dificultam a navegação comercial na região, já reduzida pela baixa profundidade do rio.
Autoridades sérvias já recorreram à dragagem para tentar manter corredores navegáveis, mas em alguns pontos o canal chega a ter menos de 100 metros de largura por causa dos cascos afundados.
Nos últimos anos, autoridades removeram algumas embarcações do fundo do rio, como um navio caça-minas retirado em agosto de 2024, mas a operação é lenta e cara. Cada casco precisa ser inspecionado com cuidado antes da retirada, já que muitos ainda contêm explosivos ativos que podem detonar com o simples manuseio.






