Jacob Palmer, de 23 anos, deixou a faculdade durante a pandemia, entrou como aprendiz de eletricista e hoje toca o próprio negócio nos EUA, com renda anual de seis dígitos.
Ele cresceu em Concord, na Carolina do Norte, perto de Charlotte, e diz que o estudo remoto mudou sua relação com a escola e com o plano de seguir para a universidade.
Depois de testar outros empregos, ele investiu em licenças, abriu empresa e passou a atender clientes por indicação, enquanto planeja crescer também com conteúdo no YouTube.
Da sala de aula ao online
Palmer conta que sempre teve bom desempenho acadêmico. Ele lembra atividades e liderança estudantil, além de apresentações em público e uma rotina cheia na escola.
No entanto, a pandemia alterou o formato do ensino. “A escola ficou drasticamente diferente com aulas online e chamadas no Zoom. Parecia algo muito intangível”, afirmou, em entrevista ao portal norte-americano Fortune.
Ele concluiu cedo que a faculdade a distância não era o seu caminho. “Percebi bem rápido que a faculdade online não funcionava para mim. Eu odiava”, disse.
Testes de trabalho e o primeiro contato com a profissão
Em vez de insistir na faculdade, ele experimentou alternativas. Passou alguns meses em um armazém da FedEx e, depois, foi para a zona rural da Virgínia, onde trabalhou em uma fábrica.
Quando voltou para casa e precisava de emprego, um episódio simples virou ponto de virada. A mãe instalava uma banheira de hidromassagem e falou de um eletricista “super apaixonado e que amava o trabalho”.
Palmer conversou com o profissional e gostou de ver alguém trabalhando por conta própria. A partir daí, ele decidiu seguir uma rota parecida, com formação prática e avanço por etapas.
Aprendiz, prova e empresa própria
Ele entrou como aprendiz em tempo integral numa pequena empresa de contratos em Charlotte, ganhando US$ 15 por hora no início. Com o tempo, foi subindo e acumulando experiência no dia a dia.
“Passei alguns anos só desembaraçando extensões e fazendo o trabalho pesado”, disse. Mesmo sem ser universitário, ele estudou bastante para passar no exame de licença, em janeiro de 2024.
Um mês depois, aos 21 anos, ele abriu a Palmer Electrical. No fim daquele ano, a empresa faturou quase US$ 90 mil. Em 2025, o valor subiu para US$ 175 mil, e ele definiu uma meta.
“Estou pensando que US$ 250.000 é uma boa meta para 2026, mas meu foco principal ainda é continuar aprendendo e criar novas oportunidades”, afirmou.
A virada da Geração Z
Palmer não se vê como caso isolado. O texto aponta que a microgeração dele abandonou a faculdade em massa na pandemia e respondeu por 42% de um recuo total de 15% nas matrículas de graduação entre 2010 e 2021.
Especialistas citados associam a tendência a um “precipício demográfico”, ligado à queda de nascimentos após a crise de 2008, além de custos crescentes e dúvidas sobre retorno financeiro no ensino superior.
Na prática, mais jovens escolhem formação técnica e entrada rápida no mercado, buscando experiência, estabilidade e menos dívida, com um caminho claro para licença e carreira.
Independência financeira
“Sou uma operação de uma pessoa, um caminhão”, explicou. Ele começou com serviços para amigos e família e, em seguida, ganhou clientes “na vizinhança”, com indicações boca a boca.
Ele destaca a diferença em relação a colegas com empréstimos e incerteza no início da carreira. “Eu não devo nada a ninguém”, disse, ao comparar a própria rotina com a de pares que seguiram para a faculdade.
Para ele, ser o próprio chefe trouxe autonomia e também pressão. “Se eu parar, os cheques vão a zero”, afirmou, ao falar do ritmo intenso e do pouco tempo de descanso.
YouTube como plano de expansão
Além do trabalho em campo, ele mira a criação de conteúdo. “Dependendo de como o próximo ano correr no YouTube da Palmer Electrical, isso pode ser uma grande parte do meu futuro, criação de conteúdo”, disse.
“Eu odeio a palavra ‘influenciador’, mas, sabe, influenciador elétrico?”, completou. Ele afirma que não busca vaidade e vê o canal como outra fonte de receita.
Ele estima que saiu de cerca de US$ 450 por mês em anúncios e chegou a US$ 1.300 dentro de um ano. “O Jacob do ensino médio estaria a enlouquecer agora”, afirmou.




