Tem peixe nos rios de SP? O que se sabe sobre pescar e comer no Tietê e no Pinheiros

Tietê e Pinheiros ainda têm vida aquática em pontos isolados, mas a qualidade da água acende alerta para consumo

Mesmo com a poluição extrema, os rios da capital tem formas de vida lutando para sobreviver

Mesmo com a poluição extrema, os rios da capital tem formas de vida lutando para sobreviver | Prefeitura de São Paulo / Fotos Públicas

Os moradores de São Paulo convivem diariamente com os grandes rios paulistanos, como o Pinheiros e o Tietê. Para muitos, existe a dúvida: há algo para pescar nesses rios? A resposta curta é: existe vida, mas ela é muito limitada.

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Segundo classificações de enquadramento oficial dos corpos d’água, de órgãos como a CETESB, os rios, em seus trechos metropolitanos, têm classificação 4. A pior, em uma escala de 1 a 4, corpos nela inclusos servem apenas para transporte e paisagismo. Porém, o quadro geral é mais amplo que isso.

Existem peixes nos rios Tietê e Pinheiros?

Ambos os rios são praticamente inabitáveis em seus trechos principais, como o trecho do rio paralelo à Marginal Pinheiros. Porém, outros trechos dentro da região metropolitana ainda possuem populações de peixes resistentes à poluição.

Áreas de várzea e represamento, como a Represa Billings (Região Sul), possuem populações de espécies resistentes à poluição. Há registro de um homem em Suzano que pescou um bagre de cerca de 12 quilos.

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Espécies como bagres, tilápias e cascudos possuem maior resistência à poluição orgânica e a ambientes com baixa disponibilidade de oxigênio (Foto: Joahay / Wikimedia Commons)Espécies como bagres, tilápias e cascudos possuem maior resistência à poluição orgânica e a ambientes com baixa disponibilidade de oxigênio (Foto: Joahay / Wikimedia Commons)

Porém, mesmo nas regiões de extrema urbanização, há registros de vida aquática em raros avistamentos. Alguns dos mais famosos foram um avistamento de jacaré próximo à Ponte da Vila Maria, em 1990, e alguns peixes próximos à Ponte Cidade Jardim, em 2021.

“A vida encontra um jeito”
frase icônica do Dr. Ian Malcolm em Jurassic Park

Autoridades destacam os esforços dos projetos de limpeza dos rios, como o Projeto Tietê, enfatizados recentemente pelo governador Tarcísio de Freitas. Porém, aparições como essas nas áreas de classificação 4 ainda são muito escassas.

As regiões de maior degradação possuem uma fauna nativa nas beiras do rio, em geral composta por insetos, pássaros aquáticos, como as garças, e alguns mamíferos semiaquáticos, como as famosas capivaras paulistanas.

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Dentro do rio, a única vida que prospera é a microscópica: bactérias, fungos e amebas, como é o caso da famosa bactéria fecal E. coli (Foto: NIAID / Wikimedia Commons)Dentro do rio, a única vida que prospera é a microscópica: bactérias, fungos e amebas, como é o caso da famosa bactéria fecal E. coli (Foto: NIAID / Wikimedia Commons)

Eles têm algum ponto limpo?

Apesar da extrema poluição do trecho metropolitano, existem áreas menos degradadas, que possuem maior potencial de vida, como a já citada Represa Billings e trechos em Suzano.

No entanto, os únicos pontos considerados seguros pelas autoridades para pesca e consumo do pescado são os locais com categoria 1 e 2. O Tietê, por exemplo, só é considerado inteiramente seguro nas cidades perto de sua foz.

Os trechos mais limpos do Rio Tietê estão nas cidades serranas em que se localizam sua foz e afluentes. Por exemplo, Salesópolis, Itapura, Biritiba-Mirim e parte do Alto Tietê (Foto: Luciana Araújo / Wikimedia Commons)Os trechos mais limpos do Rio Tietê estão nas cidades serranas em que se localizam sua foz e afluentes. Por exemplo, Salesópolis, Itapura, Biritiba-Mirim e parte do Alto Tietê (Foto: Luciana Araújo / Wikimedia Commons)