Muito antes de os dinossauros dominarem a Terra, um predador silencioso já nadava pelos oceanos. Ele sobreviveu a mudanças extremas no planeta e ainda hoje circula por águas profundas, longe dos olhos humanos.
Chamado de tubarão-de-seis-guelras, esse animal chama atenção porque parece carregar marcas de um passado muito antigo. Enquanto a maioria dos tubarões tem cinco fendas branquiais, ele tem seis, detalhe que ajuda a explicar sua fama de sobrevivente pré-histórico.
Agora, aparições em águas mais rasas de Puget Sound, nos Estados Unidos, reacenderam o interesse dos cientistas. A suspeita é que a região funcione como uma espécie de berçário natural para filhotes.
Um sobrevivente antigo
O tubarão-de-seis-guelras pertence a uma linhagem muito antiga de tubarões. Seu corpo grande, o comportamento discreto e a preferência por ambientes escuros fazem com que ele seja pouco visto, mesmo sendo encontrado em diferentes oceanos.
Muitos desses animais passam boa parte da vida em áreas profundas, onde a luz quase não chega e a observação humana se torna difícil. Por isso, cada aparição em águas rasas chama tanta atenção.
A espécie pode atingir vários metros de comprimento e está entre os grandes tubarões predadores do planeta. Apesar disso, não costuma aparecer com frequência perto da superfície durante o dia, já que prefere regiões mais frias e escuras.
Por que ele tem seis guelras?
O nome popular vem de uma característica fácil de entender: esse tubarão possui seis fendas branquiais em cada lado do corpo. A maioria dos tubarões modernos tem apenas cinco, o que torna a espécie ainda mais curiosa.
As guelras são estruturas usadas na respiração. A água passa por elas, permitindo que o animal retire oxigênio do ambiente. No caso desse tubarão, a sexta fenda reforça sua ligação com grupos mais antigos da história evolutiva dos mares.
Essa diferença não significa que o animal parou no tempo. Na verdade, ele continuou se adaptando ao longo de milhões de anos. Ainda assim, preserva traços que lembram um oceano muito anterior ao mundo que conhecemos hoje.
O mistério das águas rasas
Em Puget Sound, pesquisadores observam jovens tubarões-de-seis-guelras em áreas onde a presença da espécie parece se repetir. A hipótese é que fêmeas adultas usem essas águas para dar à luz e que os filhotes cresçam ali por algum tempo.
Durante certos períodos, esses tubarões podem subir para águas mais rasas ao entardecer e voltar para regiões profundas ao amanhecer. Esse movimento pode estar ligado à busca por alimento e à segurança dos animais mais jovens.
A fotografia em preto e branco destaca o contorno do animal e cria uma atmosfera parecida com a das áreas profundas do oceano (Foto: Cezar Creţan / Pexels)
O que esse tubarão revela?
Estudar o tubarão-de-seis-guelras é uma forma de entender melhor a vida nas profundezas. Cientistas querem saber como ele se alimenta, por onde se desloca, quando migra e qual papel desempenha no equilíbrio do ecossistema marinho.
Além disso, o animal mostra como os oceanos ainda guardam histórias pouco conhecidas. Mesmo em uma época de satélites, sensores e câmeras subaquáticas, espécies grandes e antigas continuam escapando de respostas simples.




