Vídeo de sucuri ‘tomada’ por carrapatos viraliza e intriga web; entenda o fenômeno no Pantanal

Carrapatos em uma sucuri viralizaram nas redes sociais após vídeo gravado no Pantanal; entenda se a infestação ameaça a serpente

carrapatos

Foto: Reprodução/Pantanal Oficial/ZéMineiro

Uma sucuri-amarela flagrada no Pantanal de Mato Grosso do Sul chamou a atenção nas redes sociais nesta semana ao aparecer com uma grande concentração de carrapatos presos à região da cauda.

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O registro foi feito pelo guia de turismo e produtor de conteúdo Zé Mineiro, do canal Pantanal Brazil, durante um passeio pela região.

Embora os carrapatos sejam popularmente ligados a mamíferos como cães e bois, esses aracnídeos também se alimentam do sangue de répteis e aves em diferentes fases do seu ciclo de vida. No ecossistema pantaneiro, serpentes, jacarés, lagartos e jabutis figuram entre os hospedeiros naturais desses parasitas.

Como os carrapatos se alimentam de sucuris?

Os carrapatos se alimentam do sangue da sucuri por meio de um processo de fixação que pode durar vários dias. Com suas peças bucais especializadas, o parasita perfura a pele da serpente nas áreas mais vulneráveis, geralmente onde as escamas são mais finas ou onde há pequenas dobras, como na região da cauda. Depois, insere um aparelho semelhante a um gancho para se ancorar firmemente ao hospedeiro.

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Uma vez fixado, o carrapato injeta saliva com propriedades anticoagulantes, o que impede que o sangue coagule durante toda a sucção. Esse mecanismo permite que ele se alimente lentamente e de forma contínua, aumentando de tamanho à medida que ingere o sangue.

Diferentemente do que ocorre em mamíferos, a pele da sucuri oferece maior resistência, o que faz com que os carrapatos se concentrem em pontos específicos e mais acessíveis do corpo. Ainda assim, quando a infestação é intensa, a perda contínua de sangue por múltiplos parasitas pode enfraquecer o animal.

A infestação de carrapatos é perigosa para a sucuri?

Na maioria dos casos, não. Poucos carrapatos não representam ameaça relevante para uma serpente adulta e saudável.

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O risco aumenta apenas em infestações intensas, como a registrada no vídeo. Nesses casos, os parasitas podem causar irritação, pequenas lesões na pele, perda de sangue e elevar o risco de infecções secundárias.

A própria natureza da espécie ajuda a controlar o problema: ao permanecer submersa por longos períodos, a serpente consegue se livrar de parte dos carrapatos. Outro mecanismo importante é a ecdise, processo de troca de pele, que remove boa parte dos parasitas fixados junto com a camada antiga.

Um fenômeno raro aos olhos humanos

Para quem não conhece de perto a fauna do Pantanal, a cena impressiona e até causa certo desconforto. Mas, para especialistas, encontrar carrapatos em uma sucuri é uma ocorrência considerada comum dentro da dinâmica natural do bioma.

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O caso reforça como o Pantanal segue sendo palco de registros que unem curiosidade popular e conhecimento científico, ajudando a desmistificar comportamentos que, embora visualmente impactantes, fazem parte do equilíbrio do ecossistema.