“Eu sou uma pessoa que quero estar bem comigo. Sabe por quê? Eu vou morrer. Ninguém vai morrer por mim. Quem vai me julgar hoje, não vai deitar no caixão no meu lugar. O que você quer que eu faça? Que eu vá viver segundo a opinião das pessoas? Não tem como! Eu vou viver do meu jeito.”
A frase, dita por Glória Maria durante uma entrevista ao programa Roda Viva, em 14 de março de 2022, sintetiza a forma como uma das maiores jornalistas da televisão brasileira encarava a própria vida.
O pensamento virou uma das declarações mais lembradas de sua trajetória por defender autenticidade, liberdade e responsabilidade pelas próprias escolhas.
Reflexão continua atual
A declaração foi feita quando Glória Maria falava sobre julgamentos, envelhecimento e liberdade para viver de acordo com os próprios valores.
Ao afirmar que ninguém morreria em seu lugar, ela reforçou que cada pessoa é a única responsável por conduzir a própria história, sem deixar que opiniões externas determinem seus caminhos.
A mensagem permanece atual porque convida a refletir sobre o peso que muitas vezes é dado à aprovação alheia.
Em vez de buscar agradar a todos, a jornalista defendia uma vida guiada pela consciência, pelos desejos e pelo que fazia sentido para si.
Filosofia colocada em prática
As palavras de Glória Maria ganharam força porque refletiam sua própria trajetória. Ela enfrentou o racismo e o machismo em uma época em que havia poucos espaços para mulheres negras na televisão e construiu uma carreira sem esperar permissões.
Essa postura apareceu também em escolhas pessoais. Tornou-se mãe por adoção já na maturidade, visitou mais de 160 países, experimentou culturas diferentes e viveu experiências pouco convencionais para uma jornalista de televisão.
Ao mesmo tempo, preservou sua intimidade e evitava dar explicações sobre aspectos da vida pessoal que considerava privados, como a sua própria idade.
Quem foi Glória Maria
Nascida no Rio de Janeiro em 1949, Glória Maria construiu uma carreira de mais de cinco décadas na Rede Globo e entrou para a história como uma das maiores jornalistas brasileiras.
Foi pioneira em diversas coberturas, realizou reportagens históricas e entrevistou personalidades internacionais como Michael Jackson, Madonna, Mick Jagger e Freddie Mercury.
Seu legado também ficou marcado pela representatividade. Ela abriu caminho para novas gerações de jornalistas negros e participou de momentos importantes da televisão brasileira, incluindo a primeira reportagem ao vivo e em cores no Jornal Nacional, em 1977, e a primeira transmissão em alta definição da TV brasileira, em 2007.
Glória Maria morreu em 2 de fevereiro de 2023, aos 73 anos, em decorrência de complicações de um câncer de pulmão que evoluiu para metástase no cérebro, mas sua carreira permanece como referência de coragem, curiosidade e independência.










