Liberdade feminina: como a mulher pode ser mais livre com pequenas atitudes no dia a dia

Especialista defende que transformação não exige grandes rupturas nem decisões radicais

Sair, vestir a roupa que quiser e beber a bebida que desejar são fatores que ajudam na liberdade feminina

Sair, vestir a roupa que quiser e beber a bebida que desejar são fatores que ajudam na liberdade feminina | Gpointstudio/Freepik

Com cada vez mais crimes contra as mulheres, a sociedade busca se fortalecer e reforçar discursos sobre força, sucesso e superação feminina.

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Contudo, o que raramente entra na conversa é o que fazer com o cansaço, a culpa, o medo de decepcionar e a pressão silenciosa para ser perfeita o tempo todo.

Para Branca Barão, palestrante, autora best-seller e referência em felicidade prática, propósito e autenticidade feminina, é justamente aí que um novo discurso precisa surgir: não são necessárias grandes viradas que transformem a vida das mulheres, mas pequenas atitudes femininas, quase invisíveis, que devolvem autonomia, descanso e potência no dia a dia.

“São decisões que parecem ter menos importância ou peso para quem olha de fora, mas que exigem uma coragem imensa de quem as vive. Vejo muitas mulheres evitando escolhas não porque não são capazes, mas porque sabem que escolher por si mesmas decepciona muita gente e acabam se colocando de lado sem perceber”, analisou.

Expectativas de fora geram pressão desnecessária

Segundo a especialista, a sociedade atual é uma espécie de saturação emocional feminina, na qual as expectativas culturais são tão pesadas que muitas mulheres passam a acreditar que não têm o direito de escolher por si.

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“Existe uma cobrança constante para que a mulher seja disponível o tempo todo, emocionalmente estável, grata mesmo quando dói, forte sem cansar, multitarefa como virtude e responsável absoluta pelo cuidado com a casa, a família e os filhos. Esse excesso é tão normalizado que muitas mulheres passam a duvidar do próprio direito de escolher”, explica.

Esta sobrecarga contínua afeta diretamente a capacidade de decisão. Segundo Branca, quando o cansaço emocional se acumula, a mulher deixa de agir por intenção e passa a apenas reagir.

“A clareza é o primeiro recurso que se perde. Sem ela, não há escolha consciente, só sobrevivência. E sem intenção, não existe propósito possível”, afiemou.

Mini mudanças de atitudes que mudam a rotina e resgatam a confiança

É no meio desta busca por mais liberdade e quebra de pressão que entram as chamadas micropermissões, pequenas autorizações internas que, embora pareçam irrelevantes, funcionam como pontos de virada.

“As mulheres acreditam que não podem decepcionar ninguém, ser egoístas, errar, impor limites ou assumir uma felicidade fora do padrão, mas poderiam começar com algo muito menor do que imaginam”, diz.

Entre os exemplos mais comuns ela cita:

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  • Passar o batom que sempre quis usar;
  • Testar um corte de cabelo diferente;
  • Escolher um sapato confortável mesmo que não seja considerado o mais bonito;
  • Pedir cerveja enquanto todos tomam vinho.

“É ‘quase nada’. Mas esse quase nada libera muito”, ressalta.

Para sair do piloto automático que agrada ao mundo e entrar no modo intenção, em que a mulher volta a se ouvir, Branca destaca cinco miniousadias fundamentais:

  • Dizer “não” sem justificar;
  • Pedir ajuda sem precisar se explicar;
  • Colocar limites sem culpa;
  • Admitir cansaço sem se sentir fraca;
  • Priorizar descanso sem achar que está falhando.

Segundo ela, quando esse tema é trabalhado em palestras e encontros, os impactos costumam aparecer primeiro em dois territórios sensíveis: o corpo e os relacionamentos.

“Desde assumir o próprio estilo e abandonar padrões estéticos irreais até estabelecer limites em relações afetivas, inclusive familiares. Pressão emocional também é uma forma de abuso, mesmo quando vem de quem a gente ama. Colocar limite não é falta de amor, é autorrespeito”, afirma.

Efeitos imediatos e admiração pela própria trajetória

Para ela, quando uma mulher altera uma micropostura nesses espaços, os efeitos são quase imediatos: menos ressentimento, mais presença, mais energia.

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“O trabalho, o dinheiro e o reconhecimento vêm depois, como consequência de uma mulher que teve a ousadia de ser mais inteira”, reforça.

Ao contrário do que muitos discursos pregam, Branca defende que transformação não exige grandes rupturas nem decisões radicais.

“Não é o grande gesto que liberta é a soma das pequenas autorizações que a mulher passa a se dar todos os dias. O ‘quase nada’, repetido, reconstrói uma vida inteira”, comenta.

Para mulheres que se sentem exaustas, sem tempo ou sem energia para mudar, ela propõe um gesto mínimo: parar por dois minutos e se perguntar “se eu fosse gentil comigo agora, o que faria?”.

“É só isso, algo muito simples, mas libertador”, destaca.

Ao contar da própria trajetória, Branca relembra da própria trajetória, que se transformou apos diversas escolhas sutis.

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Um dos exemplos mais simbólicos foi quando decidiu subir ao palco de tênis All Star, rompendo com a imagem excessivamente formal que acreditava ser necessária para ser levada a sério no ambiente corporativo.

“Parecia um detalhe, mas foi uma ousadia enorme. Aquela miniousadia abriu espaço para uma presença mais leve, mais autêntica e mudou tudo, inclusive a forma como meu trabalho passou a ser valorizado”, compartilhou.