A diferença entre ambição e inveja pode parecer pequena, mas está na forma como cada sentimento reage às conquistas de outras pessoas. O jornalista e escritor Zuenir Ventura dedicou o livro “Mal Secreto: Inveja”, lançado em 1998, a investigar esse sentimento e suas manifestações na vida cotidiana.
“Aos que pretendem empreender essa viagem, o autor pede que levem consigo, para o caso de se perderem, três distinções básicas: ciúme é querer manter o que se tem; cobiça é querer o que não se tem; inveja é não querer que o outro tenha”, revela o autor.
A partir dessa reflexão, veja o que é possível aprender com a frase e como identificar essas emoções no dia a dia.
O que Zuenir Ventura revela sobre a inveja
Em “Mal Secreto: Inveja”, Zuenir Ventura analisa a inveja como um sentimento especialmente difícil de admitir.
Diferentemente da gula, da luxúria, da avareza ou do orgulho, ela não oferece satisfação a quem a sente. O sofrimento surge justamente ao observar a felicidade ou a conquista de outra pessoa.
O jornalista também mostra que a inveja costuma ser escondida e pode aparecer disfarçada de crítica ou desprezo. A reflexão aparece na frase:
“E que prestem atenção: a inveja é um vírus que se caracteriza pela ausência de sintomas aparentes. O ódio espuma. A preguiça se derrama. A gula engorda. A avareza acumula. A luxúria se oferece. O orgulho brilha. Só a inveja se esconde.”
Sentir inveja é comum, mas não deve ser normalizado
Uma pontada de inveja diante de uma promoção, viagem ou conquista pode acontecer. O problema está em alimentar esse sentimento até transformar a felicidade alheia em motivo de frustração ou desejo de fracasso.
Para mudar esse padrão, é preciso identificar o que despertou a comparação e direcionar a atenção para a própria vida.
Se a conquista de alguém revela um desejo pessoal, ela pode servir como inspiração para estabelecer metas, sem diminuir o que o outro conseguiu.
Trajetória de Zuenir Ventura no jornalismo
Nascido em Além Paraíba, Minas Gerais, em 1931, Zuenir Ventura construiu uma carreira de décadas no jornalismo. Passou por veículos como Jornal do Brasil, Veja, IstoÉ e O Globo e também atuou como professor universitário.
Em 2014, foi eleito para a Academia Brasileira de Letras, ocupando a Cadeira nº 32. Entre suas obras estão “1968: O Ano que Não Terminou”, “Cidade Partida”, “Chico Mendes: Crime e Castigo” e “Sagrada Família”.
Com Cidade Partida, recebeu o Prêmio Jabuti de Reportagem em 1995. Já sua investigação sobre o assassinato de Chico Mendes rendeu, em 1989, os prêmios Esso e Vladimir Herzog.
