Um estudo preliminar divulgado em 20 janeiro de 2026 no repositório científico Zenodo propõe que a Grande Pirâmide de Gizé pode ser muito mais antiga do que indica a cronologia tradicional da egiptologia.
A estimativa, baseada em medições de erosão na base do monumento, aponta maior probabilidade de construção entre 8.954 a.C. e 36.878 a.C., com média em torno de 22.900 a.C.
O autor é o engenheiro italiano Alberto Donini, criador do Método de Erosão Relativa (REM).
Ele analisou o desgaste das rochas causado por chuva, vento e variações de temperatura ao longo do tempo, partindo do princípio de que superfícies expostas por mais tempo apresentam maior erosão.
Como o cálculo foi feito
Para aplicar o método, Donini considerou um fato histórico registrado.
O revestimento externo de calcário branco da pirâmide foi removido após o terremoto de 1303 e reutilizado em construções no Cairo nos séculos seguintes, o que altera nossa compreensão sobre estruturas antigas e comparações com outras construções pré-históricas.
Parte das pedras da base ficou exposta há cerca de 675 anos, enquanto outras áreas teriam permanecido ao ar livre desde a construção original. Essa diferença de tempo foi usada como base de comparação nas medições.
O REM compara o desgaste em duas áreas da mesma rocha sob condições diferentes de exposição.
A diferença de erosão serviria como indicador do tempo total, assumindo que o ritmo de desgaste tenha sido relativamente constante ao longo dos milênios.
Marcas observadas na pedra
O estudo descreve dois tipos principais de erosão no calcário de Gizé. A erosão por pites forma pequenos buracos provocados por reações químicas, sais e umidade ao longo do tempo.
Já a erosão uniforme deixa a superfície mais lisa e desgastada de modo regular.
Esse padrão costuma ser associado à ação do vento com areia e ao contato humano ao longo dos séculos.
Datas estimadas pelo método
Donini mediu o volume de material perdido nos pites e a redução de espessura em áreas de desgaste uniforme. As medições foram realizadas em doze pontos diferentes na base da pirâmide.
Cada ponto analisado gerou uma estimativa distinta de idade, devido a variações de posição, microclima e características da rocha. A partir desses dados, o pesquisador aplicou uma análise estatística para calcular o intervalo mais provável.
Segundo o estudo, as datas estimadas ficaram muito anteriores aos cerca de 2560 a.C. tradicionalmente associados ao reinado de Khufu.
A faixa de maior probabilidade calculada vai de 8.954 a.C. a 36.878 a.C. Isso remete a debates sobre pirâmides antigas e complexos megalíticos, como discutido em estruturas mais antigas que a Grande Pirâmide de Gizé.
Limitações e cautela
O próprio autor reconhece incertezas importantes. A taxa de erosão pode ter variado por mudanças climáticas ao longo dos milênios. Fatores modernos, como chuva ácida e o contato de turistas, podem ter acelerado o desgaste recente.
Camadas de areia no passado também podem ter protegido partes da base, reduzindo a erosão em certos períodos. Por isso, Donini afirma que o método indica apenas uma ordem de grandeza, não uma data exata.
Hipótese levantada pelo autor
Com base nesses resultados, o engenheiro sugere que a pirâmide possa ser anterior ao Egito dinástico. Ele levanta a hipótese de que Khufu tenha restaurado uma estrutura já existente, atribuindo a si sua construção.
Donini ressalta que o trabalho é preliminar. A próxima etapa prevista é ampliar as medições em outras áreas do planalto de Gizé para testar a consistência do método.
Perguntas frequentes
1. O que o estudo divulgado em janeiro de 2026 propõe sobre a Pirâmide de Quéops?
Que ela pode ser muito mais antiga do que indica a cronologia tradicional da egiptologia.
2. Qual é o intervalo de datas sugerido para a construção da pirâmide?
Entre 8.954 a.C. e 36.878 a.C., com média em torno de 22.900 a.C.
3. Quem é o autor do estudo e qual método ele utilizou?
O engenheiro italiano Alberto Donini, que aplicou o Método de Erosão Relativa, o REM.
4. Em que se baseia o Método de Erosão Relativa?
Na comparação do desgaste de rochas expostas por períodos diferentes ao longo do tempo.
5. Quais cautelas o autor destaca sobre os resultados?
Que o método indica apenas uma ordem de grandeza e não uma data exata, por causa de variações climáticas e fatores modernos de erosão.




