Novo estudo afirma que a Grande Pirâmide de Gizé foi erguida na Idade da Pedra

Pesquisa preliminar usa erosão das pedras para propor datas entre 8.954 e 36.878 a.C. para a construção da pirâmide

Método de erosão relativa desafia cronologia tradicional que associa monumento ao reinado de Khufu

Método de erosão relativa desafia cronologia tradicional que associa monumento ao reinado de Khufu | Jorge Láscar/Wikimedia Commons

Um estudo preliminar divulgado em 20 janeiro de 2026 no repositório científico Zenodo propõe que a Grande Pirâmide de Gizé pode ser muito mais antiga do que indica a cronologia tradicional da egiptologia.

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A estimativa, baseada em medições de erosão na base do monumento, aponta maior probabilidade de construção entre 8.954 a.C. e 36.878 a.C., com média em torno de 22.900 a.C.

O autor é o engenheiro italiano Alberto Donini, criador do Método de Erosão Relativa (REM).

Ele analisou o desgaste das rochas causado por chuva, vento e variações de temperatura ao longo do tempo, partindo do princípio de que superfícies expostas por mais tempo apresentam maior erosão.

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Como o cálculo foi feito

Para aplicar o método, Donini considerou um fato histórico registrado.

O revestimento externo de calcário branco da pirâmide foi removido após o terremoto de 1303 e reutilizado em construções no Cairo nos séculos seguintes, o que altera nossa compreensão sobre estruturas antigas e comparações com outras construções pré-históricas.

Parte das pedras da base ficou exposta há cerca de 675 anos, enquanto outras áreas teriam permanecido ao ar livre desde a construção original. Essa diferença de tempo foi usada como base de comparação nas medições.

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O REM compara o desgaste em duas áreas da mesma rocha sob condições diferentes de exposição.

A diferença de erosão serviria como indicador do tempo total, assumindo que o ritmo de desgaste tenha sido relativamente constante ao longo dos milênios.

Marcas observadas na pedra

O estudo descreve dois tipos principais de erosão no calcário de Gizé. A erosão por pites forma pequenos buracos provocados por reações químicas, sais e umidade ao longo do tempo.

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Já a erosão uniforme deixa a superfície mais lisa e desgastada de modo regular.

Esse padrão costuma ser associado à ação do vento com areia e ao contato humano ao longo dos séculos.

Datas estimadas pelo método

Donini mediu o volume de material perdido nos pites e a redução de espessura em áreas de desgaste uniforme. As medições foram realizadas em doze pontos diferentes na base da pirâmide.

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Cada ponto analisado gerou uma estimativa distinta de idade, devido a variações de posição, microclima e características da rocha. A partir desses dados, o pesquisador aplicou uma análise estatística para calcular o intervalo mais provável.

Segundo o estudo, as datas estimadas ficaram muito anteriores aos cerca de 2560 a.C. tradicionalmente associados ao reinado de Khufu.

A faixa de maior probabilidade calculada vai de 8.954 a.C. a 36.878 a.C. Isso remete a debates sobre pirâmides antigas e complexos megalíticos, como discutido em estruturas mais antigas que a Grande Pirâmide de Gizé.

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Limitações e cautela

O próprio autor reconhece incertezas importantes. A taxa de erosão pode ter variado por mudanças climáticas ao longo dos milênios. Fatores modernos, como chuva ácida e o contato de turistas, podem ter acelerado o desgaste recente.

Camadas de areia no passado também podem ter protegido partes da base, reduzindo a erosão em certos períodos. Por isso, Donini afirma que o método indica apenas uma ordem de grandeza, não uma data exata.

Hipótese levantada pelo autor

Com base nesses resultados, o engenheiro sugere que a pirâmide possa ser anterior ao Egito dinástico. Ele levanta a hipótese de que Khufu tenha restaurado uma estrutura já existente, atribuindo a si sua construção.

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Donini ressalta que o trabalho é preliminar. A próxima etapa prevista é ampliar as medições em outras áreas do planalto de Gizé para testar a consistência do método.

Perguntas frequentes

1. O que o estudo divulgado em janeiro de 2026 propõe sobre a Pirâmide de Quéops?

Que ela pode ser muito mais antiga do que indica a cronologia tradicional da egiptologia.

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2. Qual é o intervalo de datas sugerido para a construção da pirâmide?

Entre 8.954 a.C. e 36.878 a.C., com média em torno de 22.900 a.C.

3. Quem é o autor do estudo e qual método ele utilizou?

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O engenheiro italiano Alberto Donini, que aplicou o Método de Erosão Relativa, o REM.

4. Em que se baseia o Método de Erosão Relativa?

Na comparação do desgaste de rochas expostas por períodos diferentes ao longo do tempo.

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5. Quais cautelas o autor destaca sobre os resultados?

Que o método indica apenas uma ordem de grandeza e não uma data exata, por causa de variações climáticas e fatores modernos de erosão.