Envelhecer muda o corpo, e isso também altera a forma como a alimentação impacta a saúde.
Um estudo publicado na revista Science Direct, em dezembro de 2025, apontou que idosos que não consumiam carne tinham menor probabilidade de chegar aos 100 anos do que aqueles que consumiam.
Porém, especialistas ouvidos pelo The Conversation alertaram para que esses resultados sejam interpretados com cuidado.
Como estudo foi realizado
A pesquisa acompanhou mais de cinco mil chineses com 80 anos ou mais que faziam parte do Estudo Longitudinal Chinês sobre Saúde e Longevidade, iniciado em 1998 para observar como diferentes hábitos influenciam o envelhecimento.
Em 2018, os pesquisadores verificaram que a proporção de pessoas que alcançaram 100 anos era maior no grupo que consumia carne.
O contexto por trás dos números
Durante décadas, estudos associaram dietas vegetarianas a menor risco de doenças cardíacas, AVC, diabetes tipo 2 e obesidade.
Esses efeitos costumam estar ligados ao maior consumo de fibras e à menor ingestão de gordura saturada, que ajudam no controle do colesterol e da glicose no sangue.
No entanto, em idades avançadas o organismo passa por mudanças naturais.
O gasto de energia diminui, a massa muscular reduz, os ossos perdem densidade e o apetite costuma cair. Isso aumenta o risco de desnutrição, quando o corpo não recebe nutrientes suficientes.
Esse ponto é reforçado por conteúdos como alimentação para idosos com nutrientes essenciais, que destaca a importância de proteínas, vitaminas e minerais na terceira idade, e como eles influenciam a qualidade de vida.
O que muda na terceira idade
Na velhice, manter o peso e a força muscular vira prioridade. A perda de músculos, chamada sarcopenia, está ligada a quedas, fraturas e perda de autonomia.
Já a fragilidade é um estado de maior vulnerabilidade física, em que problemas simples podem se tornar graves.
Alguns estudos indicam que idosos que excluem carne podem ter ingestão menor de proteína e cálcio.
Por exemplo, pouca proteína pode dificultar a recuperação após uma infecção, enquanto pouco cálcio enfraquece os ossos.
Outro aspecto relacionado é a perda de apetite na terceira idade, tema abordado em como a falta de apetite impacta a saúde dos idosos, mostrando fatores fisiológicos e estratégias para estimular a alimentação.
Peso corporal fez diferença
Um detalhe importante apareceu nos resultados. A menor chance de chegar aos 100 anos entre quem não comia carne ocorreu apenas em participantes com baixo peso. Entre idosos com peso adequado, essa relação não foi observada.
Além disso, o estudo foi observacional, ou seja, mostra associação, não causa e efeito. Dois fatores podem aparecer juntos sem que um provoque o outro.
Nem toda dieta sem carne foi igual
A menor longevidade também não foi vista entre idosos que consumiam peixe, ovos ou laticínios.
Esses alimentos fornecem proteína de boa qualidade, vitamina B12, cálcio e vitamina D, nutrientes importantes para músculos e ossos.
Os pesquisadores sugerem que incluir quantidades moderadas de alimentos de origem animal pode ajudar a prevenir desnutrição em idades avançadas.
O que isso significa na prática
A principal mensagem que o estudo deixa é que a alimentação deve acompanhar a idade. Mesmo com menor necessidade de calorias, idosos precisam de proteína, vitamina B12, cálcio e vitamina D em níveis adequados.
Dietas à base de plantas podem continuar saudáveis, mas exigem planejamento e, às vezes, suplementação. Ajustes ao longo da vida são esperados e fazem parte de um envelhecimento mais seguro.
Perguntas frequentes
1. O que o estudo observou sobre consumo de carne e longevidade?
Que idosos que não consumiam carne tiveram menor probabilidade de chegar aos 100 anos do que os que consumiam.
2. Como a pesquisa foi feita?
Acompanhou mais de cinco mil chineses, com 80 anos ou mais, entre 1998 e 2018.
3. Por que os resultados precisam ser analisados com cautela?
Porque o estudo é observacional e mostra associação, não relação direta de causa e efeito.
4. Em quais idosos a diferença apareceu com mais força?
Apenas entre participantes com baixo peso. Entre idosos com peso adequado, a relação não foi observada.
5. Qual é a principal conclusão do estudo?
Que a alimentação deve acompanhar a idade, garantindo proteína, vitamina B12, cálcio e vitamina D suficientes, com planejamento adequado mesmo em dietas veganas e vegetarianas.


