Estudo europeu liga expectativa de vida a vínculos sociais, hábitos diários e cenário econômico

Pesquisa do INED aponta desigualdade na longevidade e explica como hábitos e conexão social entram na conta

A conexão social explica que quanto mais conectada está a sociedade, mais seguros os indivíduos se sentem

A conexão social explica que quanto mais conectada está a sociedade, mais seguros os indivíduos se sentem | Freepik

Um estudo de expectativa de vida foi publicado em conjunto pelo Instituto Nacional de Estudos Demográficos da França (INED), a Bibliothèque Interuniversitaire de la Santé (BiB) e o Centro Nacional de Pesquisa Científica (CNRS).

A pesquisa destaca o surgimento de uma Europa “a duas velocidades”, quando se fala em expectativa de vida. O sociólogo Serge Guérin deu entrevista ao La Matinale e dissecou os tópicos do estudo.

O que esses dados explicam

No continente europeu, as expectativas de vida estimadas giram em torno de 83 anos para os homens e 87 anos para as mulheres, no entanto esse ritmo está diminuindo, de acordo com o Le Matinale.

“Biologicamente, não: na Europa e em algumas outras partes do mundo, ainda não atingimos o chamado limite biológico. Portanto, ainda podemos esperar ganhar alguns meses, alguns anos, de expectativa de vida”, explica David Lefort.

A principal conclusão deste estudo do INED é que existe uma Europa em duas velocidades e esse ritmo biológico está diminuindo por uma série de fatores como os individuais e a conexão social.

De que maneira esses fatores impactam a expectativa de vida

O aspecto individual influencia comportamentos como atividade física e alimentação, já a conexão social explica que quanto mais conectada está a sociedade, mais seguros os indivíduos se sentem.

Seguindo essa lógica, quanto mais diversificados são os relacionamentos dessa população, melhores as coisas ficam.

É uma dinâmica dupla que atua lado a lado no crescimento da expectativa de vida europeu e do mundo inteiro.

A expectativa de vida de alguns lugares aumenta e a de outros não. Por quê?

Um elemento sociológico tão importante como essa expectativa é crucial para se compreender o desenvolvimento de um país e sua qualidade de vida.

Em regiões desenvolvidas, as pessoas naturalmente vivem mais. O sociólogo Serge Guerin pauta que o fato desses lugares serem estabelecidos pode fazer com que as pessoas desejem vidas mais longas.

Ele pontua que um exemplo disso é os Estados Unidos, cuja expectativa de vida vem caindo consideravelmente. Quando o contexto geral é negativo, isso impacta significativamente a experiência de vida.

O desenvolvimento econômico também é um grande impactador, nações onde a expectativa de vida aumenta costumam ter economias robustas e amplas oportunidades de emprego.