Uma descoberta científica recente revelou que um pedaço de âmbar pertencente a Johann Wolfgang von Goethe escondia um fóssil de formiga com cerca de 40 milhões de anos.
Além de poeta e escritor, Goethe era entusiasta das ciências naturais e reuniu ao longo da vida uma coleção de âmbar do Mar Báltico, prática comum entre estudiosos dos séculos XVIII e XIX.
Parte desse acervo foi preservada e analisada novamente por pesquisadores alemães, que identificaram um fóssil até então desconhecido dentro de um dos fragmentos.
Achados desse tipo ajudam a ampliar o conhecimento sobre a evolução dos insetos, como ocorreu com a formiga-infernal mais antiga já encontrada.
Um fóssil invisível a olho nu
A formiga estava completamente encapsulada no âmbar, sem contraste visual suficiente para ser identificada sem o uso de tecnologia avançada.
O inseto não era visível a olho nu nem com instrumentos ópticos tradicionais.
A identificação só foi possível graças a técnicas modernas de imagem tridimensional, capazes de revelar estruturas escondidas dentro do material fossilizado.
Tomografia 3D preservou o material
A descoberta foi anunciada pela Universidade Friedrich Schiller de Jena, responsável pela análise científica do material.
Para examinar o âmbar sem danificá-lo, os pesquisadores utilizaram tomografia computadorizada de alta resolução.
Com isso, foi possível criar modelos 3D interativos do fóssil e observar não apenas o contorno externo da formiga, mas também estruturas internas da cabeça e do tórax, algo raro em fósseis preservados em âmbar.
Uma espécie do período Eoceno
De acordo com Bernhard Bock, do Museu Filético da Universidade de Jena, o inseto pertence à espécie extinta Ctenobethylus goepperti, comum em depósitos de âmbar do período Eoceno.
Nessa época, grande parte da Europa era coberta por florestas quentes e úmidas.
O bom estado de conservação do fóssil permitiu descrições mais precisas da espécie e comparações com outros exemplares já encontrados.
O valor científico de coleções históricas
A análise do âmbar reforça a importância científica de coleções históricas, que podem guardar descobertas relevantes mesmo após séculos.
Outros achados semelhantes, como o fóssil de preguiça grávida com filhote preservado, mostram como materiais antigos ainda revelam informações inéditas.
Embora Goethe provavelmente não soubesse da presença da formiga em sua coleção, o material reunido por ele segue oferecendo novas pistas sobre a biodiversidade do passado e sobre espécies que habitaram a Terra milhões de anos atrás.


