Um pênis esculpido em pedra há cerca de 1.800 anos virou o centro de uma descoberta arqueológica que mistura curiosidade e história. A figura, encontrada próxima à Muralha de Adriano, na Inglaterra, mostra que nem mesmo soldados romanos resistiam a deixar marcas, digamos, criativas.
À primeira vista, a gravura pode parecer apenas uma brincadeira antiga. No entanto, especialistas da Universidade de Newcastle afirmam que o símbolo tinha um significado bem diferente para quem viveu naquele período.
Com isso, o achado ganhou destaque não só pelo humor involuntário, mas também pelo que revela sobre o cotidiano de militares responsáveis por proteger uma das fronteiras do Império Romano.
Desenho que atravessa séculos
A escultura foi feita por soldados romanos no ano de 207 d.C., em uma pedreira usada para extrair pedras destinadas à manutenção da Muralha de Adriano. O local fica na região de Cumbria, na Inglaterra.
Além do pênis, os trabalhadores também deixaram inscrições e outros desenhos na rocha. Esses registros funcionam quase como um diário improvisado, revelando detalhes da rotina militar na época.
Embora o sítio arqueológico seja conhecido desde o século 18, novas análises recentes trouxeram à tona gravuras que passaram despercebidas por décadas.
Humor ou superstição?
Apesar de parecer uma piada atemporal, o pênis esculpido tinha um significado simbólico para os romanos. De acordo com arqueólogos, esse tipo de imagem era associado à sorte e proteção.
Ou seja, longe de ser apenas uma brincadeira entre colegas, a gravura pode ter funcionado como um amuleto, criado para afastar o azar durante o trabalho pesado na construção.
Esse costume não era isolado. Pesquisadores já identificaram dezenas de representações semelhantes ao longo da Muralha de Adriano, reforçando a ideia de um hábito comum entre os soldados.
Rostos e mensagens na pedra
Além da figura que chama atenção, a equipe também encontrou dois bustos masculinos esculpidos na mesma pedreira. Especialistas acreditam que podem ser autorretratos ou até caricaturas.
As inscrições ao redor ajudam a montar o quebra-cabeça histórico. Uma delas diz: “APRO ET MAXIMO CONSVLIBVS OFICINA MERCATI”, indicando o período exato em que a gravura foi feita.
Outro trecho, “VEX LI EG II AVG DE APR SVB AGRICOLA OPTIONE”, revela a presença de um destacamento da Segunda Legião Augusta, detalhando a organização militar local.
Há ainda a inscrição “EPPIVSM”, que pode representar o nome de um trabalhador específico, trazendo um toque ainda mais humano para a descoberta.
Os pesquisadores também encontraram desenhos de bustos no local (Foto: Jon Allison/ Newcastle University)Tecnologia revela novos detalhes
Mesmo com o acesso físico limitado ao local, arqueólogos utilizam tecnologia de ponta para preservar as gravuras. A técnica de fotogrametria permite recriar o espaço em modelos digitais 3D. Assim, cada detalhe, incluindo o famoso símbolo, pode ser estudado sem risco de desgaste.
Enquanto novas análises continuam, uma coisa já é certa: até mesmo um simples desenho pode atravessar séculos e contar histórias surpreendentes sobre quem o deixou para trás.




